domingo, 31 de maio de 2026

Crônica da Avenida

 Estou parada na rua, 

Fumando um cigarro e

Observando as centenas de pessoas que passam por mim 

Sérias, cabisbaixas, sorrindo ou conversando

Vão andando, umas pensando em pegar um gato

Outras em como está caro

O café

Outras ainda em como sua filha se perdeu na vida

Um pivete pensa em roubar minha bolsa

Algumas, cansadas, saindo do trabalho e pensando no jantar e na cama

Outras olhando as vitrines e pensando se o dinheiro é suficiente pra comprar aquele edredom

Adolescentes conversando e rindo e pensando na próxima selfie que vão publicar no face

Gente em cadeiras de rodas, desanimadas e pensando na morte

Moças indo à praia, com biquinis que quase não existem, olhando para os lados para  ver se estão sendo olhadas e pensando: "nós somos poderosas"

Gente andando apressada para pegar o próximo trem do metrô

Vejo um homem maltrapilho e dentes estragados, dormindo ao lado da sarjeta

Uma mulher me pede para comprar balas para ajudá-la a comprar leite para sua filha que traz no colo

Um homem magro e sujo me pede o resto do cigarro que estou fumando.

Finalmente, entro no edifício comercial e acaba esta crônica da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

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