A pluma voa docemente
Na imensidão do ar
Cai lentamente
Até que um sopro de vento
Faz a pluma subir e voejar
Sobe, desce, faz piruetas
Como se fosse bailarina
Dançando no ar
Sua cor é azul
E se confunde com o céu
Graciosamente, balança
Voando ao léu
Numa calmaria, sem vento,
Começa a cair
Cai lentamente e dança
Até pousar no pensamento
Lia Rebello
Severino retirante
Enlouqueceu durante a viagem
Acredita que é São Jorge
Sem teto, vive na lua e nas ruas, pede passagem
Não pode ver um fogão
Sempre acha que é um dragão
Sua lança é um cabo de vassoura
Que ele lança contra o dragão-fogão
Luta contra tudo que tem fogo
Fogão, fogueira, lareira
Orgulhoso, diz a todos que matou mais de cem
Dragões só na sexta-feira
Sou São Jorge sem cavalo,
meu jegue foi comido pela fome
Sou São Jorge protetor
Daqueles que nem sequer têm nome
Lia Rebello