Eu sentada no banco da praça
Que é lugar de não fazer nada
Observo as árvores centenárias
O voo e o canto da passarada
As crianças brincando
No parquinho ao lado
E as mães fazendo piquenique
No gramado.
Vejo gente correndo
Mulheres feias e bonitas
Homens musculosos
No caminho de terra batida
Adolescentes jogando bola
no campinho cercado
Senhores jogando baralho
Casais passeando abraçados
Vejo tudo isso, devaneando
No banco da praça
Uma garota de lábios vermelhos
Senta-se ao meu lado
Com um sorriso cheio de graça.
Conversamos sobre a vida
No banco da praça
Ela disse que achava graça
Da vida vagabunda
Do banco da praça
Às vezes devaneava
Num banco de praça
Vendo a criançada
Vendo a passarada
Vendo as árvores centenárias
Vendo os meninos jogar bola
Vendo as mães no gramado
Vendo gente abraçada
a qualquer hora
Vendo velhinhos jogarem baralho
Em qualquer praça
Falava com tanta graça
Que não resisti,
convidei-a pra minha casa
Comemos queijos
e bebemos vinhos
Ela me contou da sua vida
Que era dançarina na Lapa
Um abrigo era seu ninho
Muitas vezes dormia
No banco da praça
Vestida de dançarina
Que era a roupa que tinha
Quando acordava fazia arruaça
Dançando pro povo da praça
Fazia isso de graça
Pois gostava de fazer graça
Depois ia tomar café
No bar da esquina
Cujo dono ela conhecia
E que era gente fina
Fui ficando muito apaixonada
Por esta moça engraçada
Que dormia e gostava
de olhar a vida que passava
Sentada no banco da praça.
Veio morar na minha casa
Mas ainda trabalhava na Lapa
E, às vezes, dançava na praça
Eu era fogo brando e ela, uma brasa.
Agora somos casadas
Adotamos uma menina
E todo dia à tardinha
Vamos ao banco da praça
A menina brinca no parquinho
Nós, devaneando,
Observamos o movimento
E à noite, no palco,
ela mostra seu talento