sábado, 30 de maio de 2026

A velhice

Vida longa

Tudo apodrece

De dentro para fora

E de fora para dentro

Tudo escurece


Vim do subúrbio

Mais suburbano

Bem perto da podridão

Pulgas, valas e valão


Agora vejo a praia da janela 

Mas não posso frequentá-la

Porque já se foi o equilíbrio 

E tenho que usar bengala



O subúrbio tinha graça 

Brincadeiras no quintal, na rua e na praça 

Éramos jovens, tudo novo,

Tinha vó, vô, mãe e  pai, de graça 


Agora, vivo essa vida precária

Sonhando acordada

Com Ourinhos e Vietnã

E com as mulheres desejadas



Já se foi a libido

Sexo, nem sozinha e escondida

Onde está a pulsão de vida?

No meu sonho, decidida e atrevida




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