quarta-feira, 20 de maio de 2026

O banco da praça

Eu sentada no banco da praça 
Que é lugar de não fazer nada
Observo as árvores centenárias
O voo e o canto da passarada

As crianças brincando 
No parquinho ao lado
E as mães fazendo piquenique
No gramado. 

Vejo gente correndo
Mulheres feias e bonitas
Homens musculosos
No caminho de terra batida

Adolescentes jogando bola 
no campinho cercado
Senhores jogando baralho
Casais passeando abraçados 

Vejo tudo isso, devaneando
No banco da praça
Uma garota de lábios vermelhos
Senta-se ao meu lado
Com um sorriso cheio de graça.

Conversamos sobre a vida
No banco da praça
Ela disse que achava graça
Da vida vagabunda 
Do banco da praça

Às vezes devaneava
Num banco de praça
Vendo a criançada
Vendo a passarada

Vendo as árvores centenárias 
Vendo os meninos jogar bola
Vendo as mães no gramado
Vendo gente abraçada 
a qualquer hora

Vendo velhinhos jogarem baralho
Em qualquer praça
Falava com tanta graça
Que não resisti, 
convidei-a pra minha casa

Comemos queijos 
e bebemos vinhos
Ela me contou da sua vida
Que era dançarina na Lapa
Um abrigo era seu ninho

Muitas vezes dormia
No banco da praça
Vestida de dançarina
Que era a roupa que tinha

Quando acordava fazia arruaça
Dançando pro povo da praça
Fazia isso de graça
Pois gostava de fazer graça 

Depois ia tomar café
No bar da esquina
Cujo dono ela conhecia
E que era gente fina

Fui ficando muito apaixonada 
Por esta moça engraçada
Que dormia e gostava 
de olhar a vida que passava
Sentada no banco da praça.

Veio morar na minha casa
Mas ainda trabalhava na Lapa
E, às vezes, dançava na praça
Eu era fogo brando e ela, uma brasa.

Agora somos casadas
Adotamos uma menina 
E todo dia à tardinha
Vamos ao banco da praça 

A menina brinca no parquinho
Nós, devaneando, 
Observamos o movimento
E à noite, no palco, 
ela mostra seu talento

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