domingo, 19 de março de 2017

Tardes de Segunda Feira

O mundo parece desfazer-se em preguiça. Segunda-feira. O dia em que todos queriam mais algumas horinhas de domingo. Só eu pareço funcionar ao contrário. Nas últimas horas de domingo, já estou contando os momentos para que cheguem as primeiras horas de segunda feira.  Eu continuo sem saber quem você é. E continuo tendo um medo terrível de tentar saber. Só sei que quando você me cumprimenta algo aqui dentro se aquece.  E é por isso que minhas segundas feiras são tão belas, porque eu sei que irei encontrar você e sentir esse furacão de sentimentos confusos que o teu olhar desperta em mim. São finais de tarde que rapidamente se transformam em inícios de noites estreladas onde os astros celestes disputam minha atenção com a lembrança luminosa da tua presença.
(As Cartas que você não leu – escrito em algum mês de 2013)
Imagem: Internet

domingo, 12 de março de 2017

O perigoso brilho dos teus olhos

"Há um momento na vida em que parece que tudo virou de ponta cabeça! Não é possível determinar com exatidão qual foi a hora, minuto ou segundo em que isso aconteceu simplesmente porque estamos tão preocupados em juntar nossos próprios cacos, tão atarefados resistindo ao temporal  que deságua, tentando nos equilibrar em meio ao terremoto que ocorre que nem pensamos em coisas simples como olhar o relógio. Só sabemos que aconteceu. Algo forte e sem nenhuma lógica. De repente você cruza o olhar com alguém e é como se todas as suas defesas estivessem ruindo. Uma angústia. A vontade de se aproximar e a vontade de fugir e não voltar nunca mais.  Isso pode acontecer com quem já se conhece há anos, e pode acontecer como aconteceu hoje: Eu nem sei quem você é, mas no momento em que entrei naquela sala, senti que toda a proteção que construí ao longo do tempo se quebrou. Eu não sei quem você é, mas sei que teus olhos são de um brilho perigoso.  Perigoso em doçura, mistério e certo ar de melancolia. Perigoso ao quebrarem minhas defesas, ao incendiarem as folhas secas que encobriam meu coração. Olhar perigoso que inundou minha alma de lágrimas sem eu saber o porquê. Eu não sei quem você é e tenho medo de descobrir e me perder ainda mais. Eu não sei quem você é, mas sei que teus olhos me marcaram. Pra sempre."
(Texto: Darlene Regina Faria – 2013)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Limite

Eu te amo, é uma coisa inevitável. Sou louca por você.
Deixo meus sonhos para sonhar os seus,
Esqueço meus problemas para resolver os seus,
Me coloco em segundo plano em minha própria vida
Para viver a tua.

Não quero dinheiro, nem fama,
E muito menos status.
Quero amor.
Custa me amar um pouco que seja?
Custa dizer que sou linda e que não vive sem mim?

Preciso de amor, mas não consigo amar por nós dois
Preciso se a prioridade de alguém,
Preciso me sentir segura,
Pois na maioria das horas, sinto meu mundo aos poucos,
Desabar.

Quero teu beijo, teu abraço.
Quero teu cheiro em mim.
Teu corpo no meu.
E principalmente seu coração.

Não suporto mais ouvir ofensas
Saindo da mesma boca que quero beijar.
Nem ironia,
Nos olhos que deveriam me confortar.

Não sei o quanto mais vou aguentar
E sozinha não vou conseguir salvar o nosso amor.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

♥ Argumento Poético ♥: Tenho procurado...

♥ Argumento Poético ♥: Tenho procurado...: Tenho procurado palavras para escrever uma declaração de amor. Tenho ensaiado  em frente ao espelho, frases doces, palavras de confort...

domingo, 29 de janeiro de 2017

Crime ambiental

 
Essa árvore, uma mangueira que frutificava bastante, e outras duas, uma delas da mesma espécie, foram retiradas sem motivo aparente e pelo tipo de corte, sem intenção de serem substituidas, nos jardins do Hospital São Vicente de Paulo, na Tijuca, Rio de Janeiro. Lamentável, pois árvore é vida. O homem prejudicando a natureza está cometendo suicídio.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

MARIONETE


MARIONETE

Já brinquei com patinete;

Já andei de charrete;

Já tive um canivete;

Já usei topete;

Já joguei confete;

Já comi omelete;

Já tomei grapette;

na praia já virei croquete;

Já gravei em disquete;

Já masquei chiclete;

Já namorei a Ivete;

Já comi em lanchonete.

Agora me amarro no tetê-à-tête

e posso até ficar com diabetes,

mas sou viciado nessa mulher coquete,

a doce e graciosa  Janete.

 

                                                              Mario Rezende

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Dica literária: As Ilusões perdidas (Balzac)

Um livro que , respeitadas as mudanças de costumes trazidas pelo decorrer das décadas, mantém-se desconcertantemente atual. O autor, magistralmente, mostra a força da imprensa, que já em seus primórdios parisienses, mostrava-se capaz de alavancar a reputação de obras e pessoas – ainda que estas não merecessem – ou de derrubar tantas outras obras e pessoas que mereceriam a glória almejada. Mostra também as intrigas de uma sociedade aparentemente perfeita. Acaso não vivemos assim hoje? Temos por verdade absoluta o que publicam jornalistas, deixamo-nos levar pela aparente perfeição desta ou daquela família e envolvemo-nos em intrigas que não nos dizem respeito. Acaso ainda hoje o dinheiro não tem sido capaz de comprar opiniões? O capital mostra-se cada vez mais cruel, comprando a honra dos que deveriam dedicar seu tempo a elevar as condições de vida da população? Não causa estranheza notar que já em mil oitocentos e tanto era assim? A humanidade acaso não consegue aprender a lição e despojar-se de supostas e falsas honrarias em busca de uma vida pacífica e igualitária?
Luciano é um anti-herói: Rapaz da província, órfão de pai, mantido pelo esforço da mãe parteira, da irmã engomadeira e do amigo, dono de uma tipografia e inventor, almeja alcançar a glória literária, envolve-se com uma senhora da nobreza, casada e que o toma por protegido levando-o para Paris após o que poderia ser um escândalo. Na capital ele irá vivenciar o abandono, a desilusão, a miséria, a amizade verdadeira, a camaradagem, o amor, o luxo e a humilhação que o levarão de volta a sua terra natal para vivenciar todo o mal que causara à família. Luciano, em Paris, perde suas ilusões de escritor e o pouco de caráter o honra que possuí, e em muitos momentos o leitor chegará a sentir ódio pelo personagem, para em outros, diante dos sofrimentos, torcer por uma reviravolta que o leve a posição almejada.
As personagens femininas merecem um parágrafo à parte: O autor diversifica bastante os detalhes de comportamento das mulheres em sua obra. São em geral mulheres fortes, astuciosas e decididas – seja para jogar em sociedade utilizando peripécias e meios sujos de obterem posição social ou vingança, seja para garantir a sobrevivência da própria família em momentos de apuro.
Balzac consegue traçar uma linha tênue entre vaidade e honra, quebrada algumas vezes, por motivos pessoais e/ou financeiros. Ele retrata uma sociedade moralmente decadente e as dificuldades de manter-se em luta por seus objetivos sem envolver-se em um mar de lama – E acredite, o autor consegue mesmo criar personagens capazes de manter a pureza de princípios em meio a tudo e todos. Além de traçar este retrato de costumes, mostra-se um retrato político da época. É um livro descritivo, cheio de períodos longos, porém não chega a ser cansativo.
Uma curiosidade sobre a obra: No decorrer do livro, surge a interação de personagens de outras obras do autor, o que inicialmente trás certo desconforto, mas depois acaba por despertar o desejo de ler os livros citados. Muito embora seja um dos clássicos da literatura francesa, apresenta um vocabulário acessível, de compreensão tranqüila.  Pesquisei e descobri que não houve adaptação cinematográfica para o livro, o que é ao mesmo tempo um motivo de lástima e de alegria para os amantes da boa literatura.
Sem dúvida, indico a leitura, principalmente se você pretende dedicar-se a literatura, pois perceberá, com o tempo, que o trecho que lhes deixo, é bastante verdadeiro:
“Para fazer obras belas, meu pobre rapaz, terá de, a penadas de tinta, esgotar seu coração de ternura, de seiva,de energia, e ostentar paixões, sentimentos, frases! Sim, escreverá em lugar de agir, cantará em vez de combater, há de amar, há de odiar, há de viver, em seus livros; mas quando tiver reservado suas riquezas para o estilo, seu ouro e sua púrpura para os personagens, tendo de andar em andrajos pelas ruas de Paris, feliz por haver criado, rivalizando com o Registro Civil, um ser chamado Adolpho, Corina, Clarissa, Renato ou Manon, quando houver estragado sua vida e seu estômago para dar vida a esta criação, há de vê-la caluniada, traída, vendida, deportada para as lacunas do olvido pelos jornalistas, sepultada por seus melhores amigos”
Desanimador? Talvez, mas ainda assim, há ainda outro trecho cheio de verdades:
“Quando uma águia cai, quem pode saber em que fundo de precipício se deterá? A queda de um grande homem é sempre proporcional a altura em que chegou”
E de que vale chegar às alturas por meios escusos, acumulando inimigos e devendo favores que não possam ser cumpridos com a consciência limpa? A obtenção da glória e do poder por meios escusos só garante uma grande queda sem rede de proteção rumo ao abismo.