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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Abri portas...




No mar deixei a pressa
Nas pedras meus segredos
Pro vento abri portas, saiu meu medo.



(((Camila Senna)))


quinta-feira, 22 de março de 2012

Samba...

 


Do samba eu gostei
Com o enredo, encantei-me...
Do seu quietinho modo...
Conduzindo-me o corpo, mais ainda.

Tem lugares que por mais banal que seja
Só é mágico e acontece com a pessoa escolhida...
Para que aconteça com emoção a melodia
Sem caligrafia, sem teoria.

Num dia, timidamente nos olhamos
Noutro, saímos de mãos separadas...
No decorrer, dançamos, rimos,
Nos beijamos e ao sair, toda a Lapa no silêncio
Bamba da noite aplaudia nossas mãos em efusão.

Mesmo sem saber se depois
Perpetuaria a leveza daquela noite
Que por pouco não aconteceria,
Mais os deuses conspiraram a favor e todo o plano mudou.

Nesse samba não coloco nem as mãos
Deixo o vento guiar conduzindo a direção.

Gostei da sintonia
Senti a energia
Adorei ouvir:" você é meu número""... (rs)
Resumindo:" prazerosa foi a noite boêmia
Com direito a samba tomado de poesia.


(( Camila Senna ))


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sem meu quasar...


Por que eu escrevo?
Para não morrer de dor
Uma dor na alma abusada,
Latente, insistente,
Essa dor me atira a queima roupa,
Me tira a calma, me estapeia a alma.

Escrevo o não vivido,
Escrevo por escrever,
E numa dessas escritas
Depois entendo o porquê!

Rabisco meus traços
Que se fundem com meus fracassos
Que se fundem com minhas paixões
Que se fundem com minhas quimeras.

Escrevo o meu inconsciente
Escrevo o absurdo de mim
A mentira de mim,
As atrocidades de mim.

Escrevo todo meu sexo
Todo meu amor
Derramo sobre meus versos...
Pitadas de charme, rebeldia e melancolia.

Queria ser cruel
Queria ser fria
Queria ser escorregadia
Queria ser fel.

Mais sou emoção
Sou quente
Sou apaixonada
Sou mel.

Mas estou vivendo
Sem a pedra indicada
Sem o mar perfeito
Sem meu quasar.


 ((( Camila Senna )))
 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Mar...


Esse mar leva-me
Num canto de encanto profundo,

Para os surdos, um absoluto silêncio.
Mas posso ouvir o sussurro
Desse canto de amor, de alegria.
Seja qualquer mar, preciso do mar como preciso amar.

Essa multidão de águas límpidas
Conduz toda minha esfera menina,
Com era de mulher.
Conto os segundos para ouví-lo,
Fico louca para sentí-lo...
Sentir o gosto do sal visceral molhando meu corpo dançante...
Fazendo-me nova, inteira, no ponto.
Liberando toda a emoção perdida, todo o refrigério esquecido...

Jogando fora toda a tristeza que insiste em boiar na contramão da minha alma, da minha razão...
(Mar)avilhoso és.
Quando adentro no seu imenso interno misterioso, perco-me, logo, acho-me refeita, cheia de fogo para queimar em amor.


((( Camila Senna ))) 

A única...



Diga tudo que não quero
Sem saber de nada.
Fique do avesso,
Mais me deixe serena,
Seja no calor, seja no relento.
Quero viver sem tormento,
Se esse for o começo, que lamento.
Me deixe só por um momento,
Não fale mais nada, quero sua voz presa.
Me esqueça, mas não esqueça muito.
Metade de mim, mesmo com toda essa contramão,
Está cravada em você.
Se caso sair sem direção, perturbado,
Não se preocupe, te acharei, pois habito em você.
Talvez você nem saiba o porquê.
Não tem esconderijo certo,
Eu só queria que tudo desse certo
Nesse mar incerto.
Eu só queria que meu beijo fosse seu,
Eu só queria que sua boca fosse minha.
Seu estado tem sangrado,
Queria eu que fosse de fato sagrado.
Vamos ver no que vai dar.
Eu só queria que sua voz se transformasse em música.
Eu só queria que ao menos algum dia nossa história fosse ouvida,  resolvida.
Eu só queria nesse mundo doido ser sua, ser única.


Camila Senna

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um pouco de muitas....



Um pouco de Frida Kahlo
Chacoalhando a vida
Plantando flores na avenida
Colhendo pó, dor e despedidas.

Um pouco de Pagú
Arteira, amante do interno
Moderno da revolução,
Revoltada interrogação?

Um pouco de Maria...
Várias Marias,
Parida com manias
Intérprete de mim mesma.

Um pouco cigana
Sem umbanda, sem nome...
Cheia de cores, com flores na saia
Girando, gingando, cantando...

Um pouco indecente
Singela criança
Carente com dentes
Urgente semente.

Assusto...
Chuto o pau da barraca
Não temo ninguém e a nada
Intensa, ansiosa, corajosa...
Quando erro, boto a cara, não nego!

Sou lembrança...
Esperada do destino...

Sou dedicada às vidas que a minha deu.
Sou barulho...
Quando pensativa e muda,
Culpo a lua, a xingo de puta.

Tantas se encaixam em mim
Tantas moram em mim...

Sou muitas,
Sou nada,
Sou estrela
Sou terra batida
Sou fera ferida
Sou abrigo
Sou o ódio
Sou o amor
Sou poeta!

Escrevo para não morrer de dor
Sou quem você quiser,
Sou quem eu quero ser.
O que bem sabia de mim,
Não está mais aqui, deixaram morrer!

Camila Senna

terça-feira, 8 de novembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tempo...




O tempo é inimigo para alguns,
Mas para mim, amigo...
Mesmo contando todos os desencontros,
Somando todos acertos e desatinos,
O tempo é perfeito, o tempo é lindo.


Sei que muitos falam do tempo
Uns o odeiam, acham o cruel, um vilão.
Eu gosto de sentir o tempo passar por mim,
Encontro-me com ele todos os dias e não canso.

Sei que o tempo de muitas auroras, na minha jornada, irá chegar.
Às vezes sinto-o calado, distante, mas sempre presente.
Afinal, tudo tem seu tempo, ele também tem fases,
Vive calmo, às vezes agitado, às vezes sereno,
E com os que merecem, não sei o porquê, descontente.

Se não existisse o tempo,
Como lembraríamos dos momentos únicos?
Seja de encontro familiar harmonioso,
Ou um amor que te marcou o coração, a alma e o corpo todo.

Tempo preciso, amigo, inimigo.
Até nas fotografias se faz antigo, eterno.
Com o tempo sinto-me mais mulher,
Sinto-me forte... Sinto-o em MIM.
Sinto também carência, urgência e saudade.

Saudade de vários tempos que nunca, nunca,
Jamais voltarão, aí entra a saudade regada de solidão
Batendo a porta na cara de nossas preciosas lembranças, dizendo não.

Faz parte do tempo o nascer, o desabrochar,
O descobrir-se, o riso, o choro, a perda, os lugares.
Imagina tudo isso costurado pelo tempo...
Guardado numa caixinha mágica chamada coração?
Para os sensíveis: muita emoção.
Emoção? - Eu sou!


((( Camila Senna ))

terça-feira, 18 de outubro de 2011

De Lua...




A entrega sempre foi forte,
Sem senso crítico.
Imensa, lanço-me pros seus braços,
Te abraço, te conduzo, te acolho... 

Impressionado, você se encanta...
Canta pelos meus caminhos...
Sem juízo, refaz todas as trilhas,
Trilhas antigas que se renovam a cada passo. 

Novamente acaricia-me os traços,
Traços enigmáticos iluminados pela lua.
Tudo de muito louco se perpetua, explode!
Sua sem minha autorização me faço, não indago.

Vez em quando arredia me nego,
Me afasto e protesto.
Protesto a favor da vivacidade,
Do brilho nos olhos, da paixão.
Você entende e logo vem sem medo da contramão. 

Sei que sou de lua,
Vivo de fases,
Falando frases,
Vez em quando com quase
Na base do êxtase. 

Amo mesmo o amor que começa com risadas
E termina num beijo quente sem piada.
O amor que em minha alma situa é risonho
Cheio de sonhos, criativo e intenso. 


(( Camila Senna ))

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Camaleoa...

 
 
Enigmática às vezes
Divertida quando no fundo estou triste...
Séria e zen quando as coisas fluem bem.
Mais o meu natural mesmo é não ser normal. 

Meus pés criam asas do nada...
Tenho asas invisíveis que só eu sei.
Só eu sei o tamanho,
Só eu sei o preço que eu pago, só eu sei. 

Essa cocaína que naturalmente exalo
É de mim, mora nas entranhas
Das estranhezas de minha alma.
Alma sincera, quando maliciosa, camaleoa. 

Minha cor não tem cor definida
Todas as mulheres moram em mim.
Às vezes inflama e bum, explode!
Sou paixão, terreno perigoso,
Contramão para os indecisos e logo aviso!...
Não ouse entrar sem total asserção. 

Figo viçoso
Flor de espinho
Vinho sozinho
Carinho sem ninho
Destino sem direção.

Não tenho certeza de muitas certezas...
Quimera, sorriso, fada
Atmosfera sem muito sentido,
Primavera fora de época,
Triste sem preconceito de ser...
Idealista sem inquisição,
Nômade com endereço certo.

Espelho, espelho meu...
Quem de verdade, sou eu?
Uma fulana,
Uma sicrana
Ou uma beltrana. 

No fundo, no fundo,
Quero morrer sem saber
Vai perder a graça,
A graça dos meus traços...
Eles escorrem e saem sem medo por aí,
Sem lei, invisível, indomável.

Girando, cantando, sorrindo...
Chorando, chorando, chorando,
Esperando, desejando, possuindo...
Em chamas!
Liberta sem trama, sem máscara.
Só com um sorriso largo, seja feliz ou triste
Meu verdadeiro estado.


(( Camila Senna ))
 
 
 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Solidão precisa...




Sabe, solidão...
Tem dias que te sentir até que é bom.
Consigo sentir-me melhor,
Fumar meu cigarro,
Ouvir minha alma.

Disseram-me que sou bonita,
Quem disse, disse também...
Que minha alma é colorida,
Mas que bem no fundo mora tristeza...
Fiquei chateada por tamanha ousadia,
Pior, quem disse, sequer conhecia-me.

Mas preciso ao menos um pouco falar comigo,
Ouvir minha voz rouca, grossa...
A mesma que quantas vezes melancólica,
Cantou chorando por um alguém.
Que se me perguntarem, direi: "não sei".

Por vezes reclamava da pobre solidão,
Falava mal, achava feia...
Mais quando acompanhada por ela,
Consigo pensar com mais clareza, no sim, no não.
Fazer faxina no coração.

Solidão, vez em quando venha-me visitar,
Antes eu achava horrível te aceitar.
Hoje tenho tamanha necessidade de contigo estar...
Amo a vida, amo as pessoas...
Mas ficar só, só por um dia, é uma ideia boa.
Penso em tudo que foi trevas,
Penso em tudo que foi bom, único, sagrado...
Faço um auê!...

Para algumas pessoas separo perdão,
E na maioria das vezes, me peço perdão.
E sabe, diante de tanta solidão...
Mesmo bagunçando a alma e o coração...
Continuo sem muito entender.
Entendo que não preciso de muito saber...
Sei que minha essência ninguém rouba,
Podem até falar mal, mas ninguém sabe na íntegra.
Melhor do que eu e a solidão,
O resumo interno palpitante da minha atual condição.
E nunca ninguém saberá na íntegra...
O resumo póstumo de todo meu eu emoção.


(( Camila Senna ))





quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pequenina e diferente...


A artista que mora em mim
Quer circo sem palhaços fingidos...
Quer cachorros vadios...
Latindo de alegria,
Não de dor ou por fome.

Essa artista crê piamente
Que pode ser várias...
Disseram-me que preciso escolher
O que de fato quero ser.

Respondi em pensamento:
"Quero ser muitas".
Muitas moram em mim.
Como mudar o que por destino
Nascera comigo?

Essa artista que mora em mim
Quer sol num dia, no outro, chuva de flores...
Regada de vento, harmonia.
Quer ser uma hoje,
Outra amanhã...

Preciso seguir assim...
Com minhas mutações necessárias,
Preciso de arte, uma só não basta.
Preciso ser arteira de formas diferentes.
Sou assim mesmo, pequenina e diferente.

(((Camila Senna))) 
 
 
ps:
Fizeram-me várias...
O mundo, para mim, não basta. Às vezes me enrolo toda, tola quero ser toda. 
C. Senna 
 
 

Mar marrom...


Ando navegando na minha pupila...
Em volta só vejo mar...
Mar marrom.

Vejo tantos afogados...
Vejo os que foram salvos
Me vejo!

Me vejo com frio, com saudade...
Mais forte!
Na ilha da minha pupila.


 ((( Camila Senna )))

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Maria ninguém...





Sou uma boneca retalhada de chita,
Triste e colorida.
Não me faço de vítima,
Quando erro boto a cara, não nego.
Sou uma criatura carente com dentes...
Sou uma abandonada de pai,
Uma alma perturbada o tirou de mim,
Foi precoce a perda, como tudo na minha danada vida. 
 
Uma jovem que tem pinta de doida,
Mas é responsável com aquilo que semeou.
Uma garotinha que sonha acordada tentando fazer do amor um conto de fadas.
Tenho certeza, o amor existe!
Fadas?
- Na minha vida, só a da minhas costas, a mesma é tatuada, talvez por querer tanto ser uma. 
 
Uma poeta sem batismo
Que escreve o que lhe vem à mente...
Com palavras e alguns palavrões...
Umas inocentes, outras indecentes.
Aquela que nunca imaginou em ser poeta, que sonhava em ser bailarina e cantora. 
 
A poesia me escolheu, fui pega pela mão a andarilhar por meu passado, presente e devanear por meu futuro.
No início, poesia tímida sem muitas palavras, rimas medrosas.
Hoje, o barulho do meu mundo interno nu, sem querer saber da aprovação do mundo.
Confesso que sou explosão!...
Escrever e procurar me entender fez bem ao meu jeito,
Fez bem ao meu coração. 
 
Sou uma alegria em vida,
Mas quando deprimida, perco o ritmo, deixo cair no chão meu semblante...
Esqueço minha essência, me vejo num motim, dou de cara com a morte,
Minha casa vira uma espelunca,
A lua vira puta,
O passado, triste e errante,
Os amores, todos fracassados,
O presente, precipitado.
Fico louca por uns dias... No decorrer vou varrendo toda a rua do meu coração, recolho lixo por lixo....
Tentando deixar fluir a beleza dos sentimentos bons. 
 
Uma menina que na infância
Teve tudo para ter uma estrutura familiar...
Mas não teve!
Tive que traçar e escolher quem eu queria ser...
Tive que me reinventar para não ficar na margem de lá,
Margem dos fracassados, viciados...
Com o futuro ameaçado.
Corri do mal, chorei todo o inferno astral, passei o pão que o diabo pisou.
A única coisa boa que eu via eram as estrelas...
Quando chorosa corria para laje para chorar todas as minhas lágrimas...
Deixando as estrelas me ninar, me acalmar.

Uma mulher que não cansa de ser mulher,
Mas que entende que para ser mulher
É necessário ser forte, sagaz, intrépida.
Entende que esse mundo vagabundo é uma selva
De animais racionais gemendo por dentro, querendo seu lamento.
Entende que nem tudo é véu, flores na janela, lua-de-mel, primavera...
Muitas coisas são crueis...
Viver a dois sem sintonia,
Viver só sem melodia,
O ser humano e seus sentimentos mesquinhos,
Morrer sem ter visto de perto a cara da gostosa alegria...
Virando cinzas e nada. 
 
Derramarei então todo meu pó de poesia nas entrelinhas dos meus poemas...
E que se dane a teoria,
E que se dane a opinião dos que me detestam, não fico puta, não fico virgem, não fico nada!
Falo o que quero na hora certa ou na hora errada.
Não ganho nada, mas também não perco.
Sobrevivo nesse mundo de palhaços sofridos, onde muitas das vezes me vejo... 
 
Sou generosa, sonhadora, persistente, e quando sobra tempo, atraente.
Mãe de filhos que ergueram minha vida solo e vazia.
Uma mortal que tem horror à rotina,
Uma esquisita que se coça toda só de pensar em conversar com pessoas explicadinhas em demasia.
Uma humana cheia de defeitos, mas que não suporta hipocrisia. 
 
Regras não rimam com a minha vida.
Quando faço uma receita, nada é medido; no final, tudo sai gostoso, apetitoso.
Tenho algumas roupas que eu mesma corto e refaço.
Saio despojada, de boina, de tênis, sem pensar em nada.
Mas tem dias que a vaidade me condena, me visto como princesa...
Princesa sem eira, nem beira, sem castelo, sem cavalo, só com meu sorriso largo. 
 
Quem sou eu?
Uma imediatista que não curte saber da meteorologia e nem dos próximos dias.
Uma tatuada na vida, oito externas e várias internas (rs).
Sofro de insônia e sou viciada em café.
Adoro correr na chuva,
Sentir e receber amor...
Janeiro e fevereiro são meus meses preferidos...
Levo minha vida retalhada e colorida sem muito roteiro.
Penso que a paz é o melhor presente que alguém possui no seu âmago. Desejo-a tanto...

Quem sou eu?
Ah, só mais uma Maria ninguém para esse mundo de tantos gostos, rostos, olhares, pensamentos e tal.





((( Camila Senna )))




terça-feira, 26 de julho de 2011

Criatura etérea...




Quando me vi já era tarde...
Toda minha birra
Se convertera em amor...
Sentimento suave, intrigante, avassalador.
Para os mundanos mesquinhos...
Que pairam feito vírus no ar querendo contaminar,
Sentimento perturbador, criminado, mero deslumbre. 

Mas não...
Eu vi com meus olhos sensíveis...
Castidade nos seus, dois lagos, cujas cores, multicores.
Criatura etérea enviada para tirar-me do casebre fúnebre,
Que muitos vivem, respiram e até gozam. 

O astro Sol coloriu todo o céu de colibri
Teceu a paixão escrita antes de eu descobrir...
Descobrir você, pessoa poesia...
Que faz dos meus tristes dias, grandes alegrias... 

Não tenho medo da peste
Que assombra os seres terrestres,
Que armam ciladas nos caminhos frios...
Tramando embaçar a retina dos olhos com o nevoeiro...
Meus olhos são de margarida, de menina alquimista,
Sempre em busca da melodia do amor. 

Seu feitio lírico preencheu-me um vasto vazio...
Tirou-me do óbvio,
Temperou meu quarto solo,
Abriu com maestria um atalho especial.
Peregrina, adentrei sem temer na sua psique...
Não perdi tempo...
Mergulhei fundo, descobri um universo fecundo
De um ser profundo, que me tem com veracidade em todo seu ser. 



((( Camila Senna )))

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Moça de sorriso aberto...



Moça de sorriso aberto...
De sentimentos secretos...
De lágrimas cheias,
De vontade latente de encontrar intensamente...
O cenário dos sonhos, aquele, que outrora fora esquecido no inconsciente.
Mas que hoje é pólvora, queima a carne, dilacera o coração que foi costurado à mão.

Moça de sorriso aberto...
Que não desiste do simples, é forte, é guerreira.
Caminha nas ruas como se nunca houvesse sofrido ou chorado,
Talvez por isso ninguém perceba tamanha urgência.
Ela assusta, tem ar de mistério, respira o tédio sem remédio...
E ainda sorri encantando aos que com alma sensível a sentem por dentro.

Moça de sorriso aberto...
Faz do seu hall estar seu cúmplice andarilhando tudo...
Do coração dos que a amam... Ao chão dos cachorros sujos da rua.
Do seu cordão de jade, fez seu amuleto,
Da sua boina fez seu chapéu de época,
Transcende a moda que se especula em cada esquina, em cada loja.

Moça de sorriso aberto...
Do ego ferido bordado com pano de chita...
Que ilumina sua pele branca tatuada,
Exalando escancaradamente sua falsa brandura.
Mas é persistente e não dá guarida para o preto e o cinza.
O tempo pode fechar, mas seu coração é como mar aberto...
Recebe o sol dourado deixando-o impregnar todo seu interno.

Moça de sorriso aberto...
É mulher, mais insiste em continuar menina...
Vive com a rima na ponta da língua...
Às vezes fica triste por não encontrar a meninice no seu dia-a-dia, na sua rotina.
Exala naturalmente toda sua feminilidade,
Ainda assim é casta e mantém a pureza no olhar sem maldade...
Ansiando brincar, conviver com o simples que muitos não enxergam e não acham atraente.

Seu prazer é o de correr na chuva...
Sentir o sol revigorando, dando nova têmpera a sua alma...
Paquerar a lua ouvindo música com uma taça de vinho...
Podar suas plantas e vibrar, quando a mesma, está a desabrochar.

Tem dias que, por ironia, tudo muda, deixando seu riso mudo no viaduto...
A chuva vira pedra,
O sol cega sua retina,
A lua vira puta,
As plantas, coitadas, por tanta inveja alheia da sua vivacidade e energia, murcham.


Camila Senna



sábado, 16 de julho de 2011

Terra chamada vontade...






Construimos um altar...
Tinha flores,
Perfume,
Esperança.

Fomos para nosso lar...
Tinha sofá,
Comida na panela,
Primavera.

Na caminhando...
Tinha espinhos,
Mesquinhos,
Muita maldade.

Continuamos...
Não foi em vão,
Um amor feito pão,
Não termina sem chão.

Estamos aqui...
Com herdeiros,
Com a vontade,
Sempre em busca da felicidade.
Viver em parceria é uma traquinagem
Numa terra chamada vontade.


((( Camila Senna )))

Me apaixonei....






Tenho certeza que me apaixonei...
Não foi pela beleza externa
Pela altura
Pela bravura...
Foi pela brandura que seu olhar passa quando fita os meus.
Foi pela essência de uma alma mágica que muitas das vezes me deixa assustada.
Foi pelo jeito bobo de ser, da simplicidade de sorrir.
Da aventura simples implantada no dia-a-dia temperando o viver.

Tenho certeza que me apaixonei...
Não foi pela beleza externa
Pela altura
Pela bravura...
Foi pelas brincadeiras em dias chatos de segunda-feira.
Foi pelas mãos quentes na minha nuca que me deixa tonta, entregue à sua loucura.
Foi pelos inúmeros beijos intensos dados na marra, que em menos de um segundo lá estava eu, embriagada, apaixonada.

Me apaixonei.
Não me lembro de ter sentido nada parecido por um outro alguém,
Assim como sinto por você, quando estou livremente nos seus braços. 


((( Camila Senna )))


domingo, 3 de julho de 2011

Sinto...

image



Sinto falta daquele sol
Das corridas,
Do olhar,
Do azul.

Sinto falta da alegria
Da fantasia,
Do que eu sentia,
Do azul.


((( Camila Senna )))


enlaça...




Amores imperfeitos...
Sempre dão um jeito
De se aperfeiçoarem com apreço...
Na busca de uma vida sem feridas.
Rasgam-se os fatos de brigas...
Vão para cama de sapatos,
Espreme,
Enlaça,
Morde,
Ensopa,
Engole,
Se ama de verdade.
Aceita qualquer bobagem...
Que se fale ao pé do ouvido, no final...
Só riso, só riso.



((Camila Senna ))