Mario Rezende e seus amigos escritores, poetas poetisas e artistas construindo com argumentos...
sábado, 16 de fevereiro de 2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
Se a cada amanhecer
Se a cada amanhecer
Eu pudesse ainda
Ao menos abraçar-te
Em minha alma
Haveria de nascer
Um brotinho de esperança
Onde anda você?
Onde anda aquele olhar,
Que a cada dia
Foi minha alegria
E aqueceu meu coração?
Onde está a luz,
Que minha alma em vão procura
Mas só encontra
Quando nossos olhares se cruzam?
Ah, você…
Você que amo
Sem dever
E sem querer
Que eu busco em todos os pensamentos
Em todos os momentos
Dia-a-dia
Veja só, luz do meu olhar
Como é belo o espetáculo
De um amor a brotar,
A crescer
Rompendo um coração
Que já machucado
Novamente sangra
A dor de te amar.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Amor
Amor eterno, amor insano
Como posso escolher
Seguir meu coração
E viver este louco sentimento
Ou seguir a razão
E te perder?
Amor...
Dor lancinante
Do constante não ter
O que mais desejamos
Mesmo que apenas queiramos
Um brilho no olhar...
Um sorriso... Uma voz
Como foi brotar
Em minh'alma calejada
Este querer
Que tanto dói
Que quase me mata
Mas que sem ele, sou nada?
E te perder?
Amor...
Dor lancinante
Do constante não ter
O que mais desejamos
Mesmo que apenas queiramos
Um brilho no olhar...
Um sorriso... Uma voz
Como foi brotar
Em minh'alma calejada
Este querer
Que tanto dói
Que quase me mata
Mas que sem ele, sou nada?
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
Dica literária: Valeska
Escrever sempre fez parte dos meus dias desde que em tenra idade comecei a entender a magia de unir letras e palavras para contar histórias - histórias que eu pretendia que, um futuro dia fossem tão boas e belas quanto as que eu lia. Os anos, passando depressa, sempre foram acompanhados de cadernos, rascunhos arremessados ao lixo ou guardados com zelo de quem admira a própria obra. Foi por volta do início dos anos dois mil que, pela primeira vez, arrisquei-me a escrever uma história mais longa, meu primeiro romance, Valeska. Por esta época, trabalhava em um bingo e era alvo de constantes brincadeiras por ter o costume de escrever, no verso das cartelas usadas e comandas, pequenos poemas. Valeska acabou sendo o resultado de uma brincadeira, colegas de trabalho me desafiavam a escrever um romance de temática LGBT com cenas "picantes". Escrevi-o, de fato, incluindo alguns poemetos como parte do texto. Confesso que, nesta primeira obra, há algumas falhas de revisão e é com grande desgosto que, algumas vezes faço uma releitura e encontro erros dignos de quem, no afã inicial de criar diferentes mundos, publicava suas postagens sem revisar, escrevendo durante as madrugadas de trabalho em papéis dispersos e depois publicando em sites. Corrijo, é bem certo, tais erros na medida em que os vou encontrando, pois, ao passar os texto aqui para o blog, sinto que não revisei suficientemente. Outro erro, entretanto, é incorrigível e assolou-me, sem que eu percebesse, boa parte do início de minha "carreira": Cometi o terrível engano de escrever sobre o amor, sem contudo tê-lo ainda conhecido. Em minh'alma, do amor só brotavam ecos das palavras lidas em clássicos romances e poesias, misturados certamente a alguns reparos dos olhos colocados aqui e ali, sem grande interesse ou emoção. Tudo tão insuficiente para falar verdadeiramente de amor - coisa que, somente anos depois, em dois mil e treze, eu perceberia, ao conhecer o "Bambino" que roubou meu coração - mas esta é uma outra história. Voltemos então a falar sobre Valeska. A história narrada é a de uma adolescente paulistana que vive uma paixão com sua melhor amiga e, num ato impensado, coloca tudo a perder. A personagem mantém um caderno, no qual escreve cartas poéticas. Os anos passam e o destino das desditosas amantes dá inúmeras voltas. Clichê com cenas demasiadamente explícitas, o romance, publicado de capítulo em capítulo no Recanto das Letras, foi responsável pelos primeiros contatos travados com outros escritores naquele site e também por chocar pessoas que na época me conheciam e, infelizmente, incapazes de separar a escritora da menina, passaram a me tratar como mulher feita, perdendo o recato nas conversas e os modos no tratamento, coisa que em absoluto eu não esperava, mas nem por isso, impediu-me de escrever logo em seguida meu segundo romance, Bianca, sobre o qual oportunamente falarei aqui. O fato é que tenho buscado organizar por data de publicação, meus poemas e textos em um caderno, numa tentativa de organizar minha produção literária e também de perceber as mudanças dos meus textos com o passar dos anos. Não me iludo crendo ser uma escritora de grandes e imortais obras, mas percebo que a qualidade do que escrevo melhorou sensivelmente com o passar dos anos, principalmente depois que eu passei a falar de amor conhecendo de fato todas as dores e alegrias de amar alguém de forma profunda e verdadeira - acredito mesmo que, caso o romance Valeska tivesse sido escrito sobre influência de um amor verdadeiro, certamente o desventurado casal teria tido outro final. Enfim, leitor e leitora, agora que já falei um pouco sobre meu singelo primeiro romance, deixo-os com um dos poemetos que a personagem Valeska escreveu para a amada Marjorie. Não reparem na singeleza das palavras e nem no mal-jeito do escrito, lembrem-se que, quem escrevia na época, tinha dezenove anos recém completos e o fazia num salão lotado, cheio de fumaça e, acima de tudo, com a alma ainda intacta, sem conhecer de fato o amor - como poderia em tais circunstâncias produzir uma poesia capaz de arrancar lágrimas ou suspiros se nem eu mesma conhecia tais sensações? Ainda que hoje encontre tantos defeitos em meus antigos textos, não os renego, que seria de mim sem estes primeiros rascunhos? Ainda me dedicaria a escrever? Leria ainda com assiduidade? Como tudo, escrever requer prática e sentimento - e se aos dezenove anos eu ainda não os tinha, hoje, aos trinta e dois, vou adquirindo o primeiro e sentindo na alma as dores eternas de ter sido atingida pelo segundo.
AmorAmor, palavra profunda
Amar é querer bem a alguém,
É querer este alguém sempre perto
É querer ser feliz, e querer mais ainda fazer feliz o ser amado
Amor
Sentimento difícil de disfarçar
Você fez o amor brotar em meu coração
Numa nuvem de paixão
Amo-te, mais e mais a cada momento
(Poema escrito em 2005, publicado em 2008)
Para quem desejar ler o livro completo: Valeska Capítulo 1 (ou aguardem mais um pouco que em breve começarei a postar aqui os capítulos, um a um, revisados)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Uma última vez... Você
Chove!
Lá fora, o mundo se move:
Corre
Morre
Minh’alma está insensível
Como as lágrimas que por ti derramei
Pelo amor que para ti foi invisível.
Você que eu tanto amei
Você!
Suspiro
Choro
Busco...
...você
Ainda uma vez mais
Em minha vida
Uma última vez:
Você.
(Darlene R. Faria, 2007)
Lá fora, o mundo se move:
Corre
Morre
Minh’alma está insensível
Como as lágrimas que por ti derramei
Pelo amor que para ti foi invisível.
Você que eu tanto amei
Você!
Suspiro
Choro
Busco...
...você
Ainda uma vez mais
Em minha vida
Uma última vez:
Você.
(Darlene R. Faria, 2007)
sábado, 5 de janeiro de 2019
Caminho da vida, estrada da alma
Amor. Caminho da vida, estrada da alma. É flor, é espinho, são lágrimas.
Sorrisos, dor e prazer. Encontro e desencontro, prosa e poesia.
Amor é arte, é música, é gravura, é doçura.
O amor é tudo, é nada, é algo além de sonho e realidade.
Auge da loucura e da razão é um fino véu que separa a alegria e o sofrimento.
Maltrata o coração, ainda assim, sem ele não há sentido em viver.
Buscamos, procuramos, encontramos uma só vez – e então nos guiará para sempre.
Vencendo mares bravios, escalando as cordilheiras, saindo de nossos recantos mais profundos, até chegar ao cume de nossa alma, dominar nosso coração, mente e corpo. E então percebemos o sem sentido da busca, pois o amor não se encontra, ele já está escrito, ele nos encontra. Ele atravessa mundos, dimensões, tempo,espaço! Uma jornada apenas para tocar nosso coração e unir-nos em seus laços, unindo vidas que seguiam separadas, até opostas, em um só caminho que lhes foi traçado, para que se fortaleçam, se completem e acima de tudo, se amem.
Sorrisos, dor e prazer. Encontro e desencontro, prosa e poesia.
Amor é arte, é música, é gravura, é doçura.
O amor é tudo, é nada, é algo além de sonho e realidade.
Auge da loucura e da razão é um fino véu que separa a alegria e o sofrimento.
Maltrata o coração, ainda assim, sem ele não há sentido em viver.
Buscamos, procuramos, encontramos uma só vez – e então nos guiará para sempre.
Vencendo mares bravios, escalando as cordilheiras, saindo de nossos recantos mais profundos, até chegar ao cume de nossa alma, dominar nosso coração, mente e corpo. E então percebemos o sem sentido da busca, pois o amor não se encontra, ele já está escrito, ele nos encontra. Ele atravessa mundos, dimensões, tempo,espaço! Uma jornada apenas para tocar nosso coração e unir-nos em seus laços, unindo vidas que seguiam separadas, até opostas, em um só caminho que lhes foi traçado, para que se fortaleçam, se completem e acima de tudo, se amem.
(São Vicente, 2007, escrito para o livro Valeska)
sábado, 29 de dezembro de 2018
A Grama do vizinho!
A Insatisfação crônica existe, mas, é preciso livrar-se dela!
A vida nos oferece mil chances de sermos o que desejamos ser, isso é fato!
Mas, lá no fundo da alma, sempre fica um “ Por que não eu? “ , não é verdade?
Muitos acham que este é o sentimento de inveja, e não é, é um sentimento de insatisfação consigo mesmo, um sentimento de comparação.
Nós mulheres, temos muita facilidade em nos queixarmos dos homens, venhamos e convenhamos, mas, ser homem também deve ser barra. Essa semana eu estava com meu marido e viemos de uma viagem razoavelmente longa, e ele iria trabalhar, saímos as 4 da manhã da cidade do interior, pois ele pegaria as 8 no trabalho, mas, desviou cerca de 80 kms para me deixar em casa, em segurança, pois nessa época as rodoviárias estão lotadas, quando fomos atravessar a rua, ele com aquele cuidado que pra gente é normal no homem, mas, é um cuidado imposto pela sociedade há séculos, tipo, o homem é o que protege, é o que mantêm, é o que precisa fechar as portas da casa antes de dormir, se fica adulto, tem que trabalhar, se não trabalha é encostado, preguiçoso, e tem que estudar, se a mulher só estuda aos 25 anos, ela é um exemplo de filha, se o homem só estuda nessa idade, ele é vagabundo. Se aos 40 ainda não conquistou um carro é incompetente.
Geramos em nós sentimentos comparativos desde a mais tenra idade. Ah, o filho de fulano é tão bonzinho, o meu é um dilema. ( Para não usar nenhuma palavra negativa), Cobramos de nossos filhos “ por que você não tirou Dez? Tinha que tirar Dez! Seis não é nota que preste. Esses são só alguns Tipo de frases que ouvimos na infância, ou seja, somos robotizados para sermos sempre o melhor em tudo, e nem sempre , o nosso comparativo se sente melhor.
As vezes você admira a grama do seu vizinho, e seu vizinho tem problemas iguais ou até maiores que o seu.
Muitas vezes ,olhamos alguém próximo, “ Pô, Casalzão! “ mas, pode ser que mal se falem em casa, ou que apenas tenham acordos de seguirem a vida juntos ou simplesmente, sejam sim um casalzão da P... , mas, são problemáticos, tem fobias, compulsão, taras que você não aguentaria, ou problemas familiares que eu e você chutaríamos o Balde.
Quando amadurecemos, temos a estranha sensação, que em algum lugar do planeta, tem alguém muito mais feliz que você em alguma coisa, seja no trabalho, seja em um corpo maravilhoso, filhos lindos e perfeitos, mas, muitas vezes, um marido sem barriga, e muitas das vezes, esse marido lindo aos 50 sem barriga é um pé no saco e você não sabe. E está aí remoendo que o seu tomou 20 chopps no último final de semana, ou como eu, que fico triste do meu não beber, por que para quem bebe, quem não bebe é chato. Pode ser animadinho, pode ser engraçado, pode aguentar a noite, mas é chato, ninguém vai entrar na sua vibe tomando coca-cola, aí você olha a sua volta, e percebe que você tem uma vantagem, o motorista da rodada é seu, mas, ainda assim... dá uma sensação de que tem gente rindo mais que você.
A vida nos oferece mil chances de sermos o que desejamos ser, isso é fato!
Mas, lá no fundo da alma, sempre fica um “ Por que não eu? “ , não é verdade?
Muitos acham que este é o sentimento de inveja, e não é, é um sentimento de insatisfação consigo mesmo, um sentimento de comparação.
Nós mulheres, temos muita facilidade em nos queixarmos dos homens, venhamos e convenhamos, mas, ser homem também deve ser barra. Essa semana eu estava com meu marido e viemos de uma viagem razoavelmente longa, e ele iria trabalhar, saímos as 4 da manhã da cidade do interior, pois ele pegaria as 8 no trabalho, mas, desviou cerca de 80 kms para me deixar em casa, em segurança, pois nessa época as rodoviárias estão lotadas, quando fomos atravessar a rua, ele com aquele cuidado que pra gente é normal no homem, mas, é um cuidado imposto pela sociedade há séculos, tipo, o homem é o que protege, é o que mantêm, é o que precisa fechar as portas da casa antes de dormir, se fica adulto, tem que trabalhar, se não trabalha é encostado, preguiçoso, e tem que estudar, se a mulher só estuda aos 25 anos, ela é um exemplo de filha, se o homem só estuda nessa idade, ele é vagabundo. Se aos 40 ainda não conquistou um carro é incompetente.
Geramos em nós sentimentos comparativos desde a mais tenra idade. Ah, o filho de fulano é tão bonzinho, o meu é um dilema. ( Para não usar nenhuma palavra negativa), Cobramos de nossos filhos “ por que você não tirou Dez? Tinha que tirar Dez! Seis não é nota que preste. Esses são só alguns Tipo de frases que ouvimos na infância, ou seja, somos robotizados para sermos sempre o melhor em tudo, e nem sempre , o nosso comparativo se sente melhor.
As vezes você admira a grama do seu vizinho, e seu vizinho tem problemas iguais ou até maiores que o seu.
Muitas vezes ,olhamos alguém próximo, “ Pô, Casalzão! “ mas, pode ser que mal se falem em casa, ou que apenas tenham acordos de seguirem a vida juntos ou simplesmente, sejam sim um casalzão da P... , mas, são problemáticos, tem fobias, compulsão, taras que você não aguentaria, ou problemas familiares que eu e você chutaríamos o Balde.
Quando amadurecemos, temos a estranha sensação, que em algum lugar do planeta, tem alguém muito mais feliz que você em alguma coisa, seja no trabalho, seja em um corpo maravilhoso, filhos lindos e perfeitos, mas, muitas vezes, um marido sem barriga, e muitas das vezes, esse marido lindo aos 50 sem barriga é um pé no saco e você não sabe. E está aí remoendo que o seu tomou 20 chopps no último final de semana, ou como eu, que fico triste do meu não beber, por que para quem bebe, quem não bebe é chato. Pode ser animadinho, pode ser engraçado, pode aguentar a noite, mas é chato, ninguém vai entrar na sua vibe tomando coca-cola, aí você olha a sua volta, e percebe que você tem uma vantagem, o motorista da rodada é seu, mas, ainda assim... dá uma sensação de que tem gente rindo mais que você.
Chega um momento em que precisamos ficar de olho em nossas vidas.
Não sonhar que alguém tem a vida perfeita e a sua é só uma historinha básica e sem emoção.
Ninguém é feliz 24h, isso é fruto de nossa imaginação, ninguém leva uma topada e sai rindo e feliz da vida, e todos somos suscetíveis a isso. Há muitas pessoas que se destacam em sociedade, casais bonitos, mulheres empoderadas ( Não confunda com empoeiradas), solteiros felizes, solitários que batem no peito que são a melhor companhia para si mesmos, com fotos com champanhe nas cidades e boates mais badaladas, com cronômetro marcando não sei quantos km em tanto tempo, enquanto você quer só um sofázinho e netflix, mas, entenda, ninguém quer ficar colocando suas derrotas a mostra, ninguém chega no trabalho e recebe um bom dia e responde “ Bom dia nada, brochei” ou responde, “ Só se for pra você, fui tomar café e meu açúcar tinha acabado e saindo do prédio o Pombo cagou na minha cabeça. Todo mundo vende a imagem de ser forte, e isso gera a sensação de que a grama do vizinho é sempre a mais verdinha. Ao nos depararmos com a maturidade, vemos que ninguém tem uma grama sintética a toa, ninguém está o tempo inteiro sobre a calçada da fama, ou os holofotes hollywoodianos, no calar das luzes, as preocupações chegam, o ronco alheio incomoda, aquela camisola velha e nada sexy é só o que você quer vestir, pode rolar até um xixi na cama, que ninguém vai expor isso, muitas vezes nem dentro da sua casa, ou seja, quando as luzes se apagam e as portas se fecham, e só ficamos nós, com nós mesmos, vemos o quanto somos frágeis, o quanto nos cobramos a vida inteira por reflexo, o quanto não somos os perfeitos, mas, tentamos chegar o mais perto disso possível.
Só que chega uma hora, que esse nó da gravata vai apertando, e vai abafando, e vai sufocando porque você se cobra demais.
Eu estou começando a desenvolver umas fobias, nesta casa onde moro, percebi isso, ao ficar longe dela um tempo, a sensação de medo para mim que sempre fui uma Leoa Brava, é esquisita, me deixa fraca, me deixa vulnerável, reflexo disso? Irritabilidade , mal humor , falta de paciência com os bichos, com as pessoas, mas, quem olha de fora, só vê a “ Floresta feliz” em que eu vivo, e não sabe o que é conviver com os sons noturnos que passam por aqui, ou seja, em breve é hora de partir daqui, pois não sei me isolar em nada que não me deixe confiante. Mas, eu queria ter essa sensação de melhor lugar do mundo todos os dias. Lógico que as vezes sinto isso, mas, o às vezes muitas vezes não nos completa.
Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – de pessoas sem graça que se auto-rotulam influenciadoras digitais, fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.
Mas, se você buscar a sua paz em tudo o que lhe faz bem de verdade, vai ver que a sua vida é muito melhor que imagina. Amigos de verdade, pais que mesmo já não estejam nesse plano, foram pais amorosos, professores que se dedicam a você ou a seus filhos, as playlists que acompanham seu estado de humor, até as quebradas de cara, os beijos mal dados, os bem dados, as boas pegadas, as risadas, o sol a pino em frente ao mar, e as ondas...ah as ondas, tem coisa melhor que se soltar em uma onda? Guarde tudo isso para o seu livro da vida.
Será que quem você observa com frustração de não ser igual, não sofre? Será que as modelos que vomitam após comer um biscoito com manteiga são 100% tão felizes quanto suas contas bancárias? Será que namorar um famoso é tão bonito quanto na revista ou você ter que estar impecável e se policiando 24h é um saco também? Será que ter uma Ferrari, fará você achar um estacionamento mais rápido? Ou não fará o flanelinha arranhar seu carro de sacanagem? Ou você vai ficar “P” da vida, igual a quem tem um "chevelho", se isso acontecer?
Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé com aquela camisola velha?
Não confunda uma vida pública com uma vida que publica. O acento nesse caso difere o sensacional do sensacionalista, siga em paz com o que tem e faz desse o que tem o melhor pra você, se apegue as pequenas coisas que só você pode fazer por si mesmo, que é estar confortável dentro de nossa casca terrena, assim, a vida vai passando leve, sem traumas e o que te incomoda, livre-se sem dó e nem piedade. A vida é muito curta para perder tempo na fila do pão. Bom dia!
Não sonhar que alguém tem a vida perfeita e a sua é só uma historinha básica e sem emoção.
Ninguém é feliz 24h, isso é fruto de nossa imaginação, ninguém leva uma topada e sai rindo e feliz da vida, e todos somos suscetíveis a isso. Há muitas pessoas que se destacam em sociedade, casais bonitos, mulheres empoderadas ( Não confunda com empoeiradas), solteiros felizes, solitários que batem no peito que são a melhor companhia para si mesmos, com fotos com champanhe nas cidades e boates mais badaladas, com cronômetro marcando não sei quantos km em tanto tempo, enquanto você quer só um sofázinho e netflix, mas, entenda, ninguém quer ficar colocando suas derrotas a mostra, ninguém chega no trabalho e recebe um bom dia e responde “ Bom dia nada, brochei” ou responde, “ Só se for pra você, fui tomar café e meu açúcar tinha acabado e saindo do prédio o Pombo cagou na minha cabeça. Todo mundo vende a imagem de ser forte, e isso gera a sensação de que a grama do vizinho é sempre a mais verdinha. Ao nos depararmos com a maturidade, vemos que ninguém tem uma grama sintética a toa, ninguém está o tempo inteiro sobre a calçada da fama, ou os holofotes hollywoodianos, no calar das luzes, as preocupações chegam, o ronco alheio incomoda, aquela camisola velha e nada sexy é só o que você quer vestir, pode rolar até um xixi na cama, que ninguém vai expor isso, muitas vezes nem dentro da sua casa, ou seja, quando as luzes se apagam e as portas se fecham, e só ficamos nós, com nós mesmos, vemos o quanto somos frágeis, o quanto nos cobramos a vida inteira por reflexo, o quanto não somos os perfeitos, mas, tentamos chegar o mais perto disso possível.
Só que chega uma hora, que esse nó da gravata vai apertando, e vai abafando, e vai sufocando porque você se cobra demais.
Eu estou começando a desenvolver umas fobias, nesta casa onde moro, percebi isso, ao ficar longe dela um tempo, a sensação de medo para mim que sempre fui uma Leoa Brava, é esquisita, me deixa fraca, me deixa vulnerável, reflexo disso? Irritabilidade , mal humor , falta de paciência com os bichos, com as pessoas, mas, quem olha de fora, só vê a “ Floresta feliz” em que eu vivo, e não sabe o que é conviver com os sons noturnos que passam por aqui, ou seja, em breve é hora de partir daqui, pois não sei me isolar em nada que não me deixe confiante. Mas, eu queria ter essa sensação de melhor lugar do mundo todos os dias. Lógico que as vezes sinto isso, mas, o às vezes muitas vezes não nos completa.
Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – de pessoas sem graça que se auto-rotulam influenciadoras digitais, fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.
Mas, se você buscar a sua paz em tudo o que lhe faz bem de verdade, vai ver que a sua vida é muito melhor que imagina. Amigos de verdade, pais que mesmo já não estejam nesse plano, foram pais amorosos, professores que se dedicam a você ou a seus filhos, as playlists que acompanham seu estado de humor, até as quebradas de cara, os beijos mal dados, os bem dados, as boas pegadas, as risadas, o sol a pino em frente ao mar, e as ondas...ah as ondas, tem coisa melhor que se soltar em uma onda? Guarde tudo isso para o seu livro da vida.
Será que quem você observa com frustração de não ser igual, não sofre? Será que as modelos que vomitam após comer um biscoito com manteiga são 100% tão felizes quanto suas contas bancárias? Será que namorar um famoso é tão bonito quanto na revista ou você ter que estar impecável e se policiando 24h é um saco também? Será que ter uma Ferrari, fará você achar um estacionamento mais rápido? Ou não fará o flanelinha arranhar seu carro de sacanagem? Ou você vai ficar “P” da vida, igual a quem tem um "chevelho", se isso acontecer?
Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé com aquela camisola velha?
Não confunda uma vida pública com uma vida que publica. O acento nesse caso difere o sensacional do sensacionalista, siga em paz com o que tem e faz desse o que tem o melhor pra você, se apegue as pequenas coisas que só você pode fazer por si mesmo, que é estar confortável dentro de nossa casca terrena, assim, a vida vai passando leve, sem traumas e o que te incomoda, livre-se sem dó e nem piedade. A vida é muito curta para perder tempo na fila do pão. Bom dia!
Texto de Izabelle Valladares
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Cores do tempo
Olho
para trás e posso ver as cores do tempo que se passou: O verde broto da
infância, delicado, inocente e cheio de esperanças. As alegres cores do
florescer róseo da juventude – lampejos sensuais e igualmente doces. Vivo agora
o outono de cores pálidas onde os sentimentos intensos da moça que fui vão, pouco
a pouco, caindo ao chão, como folhas secas ao vento, levadas de um canto para
outro, se desfazendo em pedaços que sujam insistentemente as calçadas. Vão
ficando espalhados como folhas despedaçadas a inocência, a esperança, os sonhos
– Mas observe: De tudo que os anos levam, há algo que permanece: O amor que
sinto por você sobrevive agarrado em minha alma como o broto agarra-se a um
ramo em dia de vendaval. Passam-se os anos e o amor continua a ser um broto
verde que trás esperança ao coração, uma flor que enfeita a vida, ilumina e a
cada dia, me mostra o verdadeiro motivo de estar aqui, de recomeçar, de renascer
juntamente com o Sol... Renascer com o luar... Muitos anos ainda se passarão até
que eu atinja o inverno da vida, e mesmo assim, quando as cores obscuras dominarem
meu espírito, quando todas as folhas já estiverem caídas ao chão, o amor
permanecerá em meu coração. Pois o amor é uma flor que desabrocha para nunca
mais secar e seus brotos sempre serão verdejantes, fortes! Invencíveis e
imortais brotos de amor, cheio de esperança, colorindo minha vida e dando força
e alegria ao meu coração, que ainda estará esperando por você em meio às últimas
nevascas que chegam pouco a pouco para finalizar uma vida mais ou menos longa.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
Somente um segundo
Somente um segundo
Um último toque
Um último suspiro
Um último olhar
Um último toque
Um último suspiro
Um último olhar
O tempo passa...
Não, não desista
Não sem antes me dar
Um último adeus
Um último olhar
Não, não desista
Não sem antes me dar
Um último adeus
Um último olhar
Somente um segundo
É tudo, tudo o que preciso
Pra mostrar
Que o Amor não morreu
É tudo, tudo o que preciso
Pra mostrar
Que o Amor não morreu
Somente um toque
Um último t
oque
Pra te incendiar
Um último t
oque
Pra te incendiar
Um último suspiro
Esperança
Um olhar
Lágrimas
Esperança
Um olhar
Lágrimas
Somente um segundo
Um toque, um suspiro
Um olhar antes do adeus
Pra lembrar teu coração
Que ele jamais deixou de me amar.
Um toque, um suspiro
Um olhar antes do adeus
Pra lembrar teu coração
Que ele jamais deixou de me amar.
(2008)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Desejo, carne e paixão
Quero
novamente sobre mim,
Tuas
mãos profanas,
Maculando
meu corpo,
Fazendo-me
tua,
Engolindo-me
Teu
corpo quente,
Tua
respiração ofegante,
Teu
semblante...
Selvagem
Provocante
Teu
ápice
Prazer,
Inundação.
Quero
você!
Meu
Senhor
Meu
Dono
Meu
Amor
Quero
me incendiar em teu calor
Quero
ver teu corpo digladiar minha carne
Num
grito que cortará a noite
O
espaço
O
tempo
E
despertará em todos os mundos a essência do prazer
O
desejo da entrega
Que
como gênios mitológicos dominarão o mundo
E
então tudo se resumirá simplesmente em
Desejo
Carne
e Paixão.
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
domingo, 25 de novembro de 2018
terça-feira, 20 de novembro de 2018
domingo, 11 de novembro de 2018
Casamento das palavras
Casamento de Palavras
A manhã mal começara e lá estava ela, perdida
no devaneio de suas palavras.
Adorava escrever, desde menina, aprendera
sozinha. Os avós da roça diziam que aquilo tinha sido
obra do capeta, mas, ela nem ligava, escrevia em tudo o
que via, o que na primeira infância lhe renderam boas
palmadas, devido ao estrago feito nas paredes.
Quando ficou moça, não demorou a se enamorar
de um rapaz do colégio, e logo os dias eram preenchidos
nas linhas das enormes cartas de amor, que causavam
frisson, em ambas as partes, quando escritas e quando
lidas, e, assim Narinha foi vendo sua juventude
avançar, em meio a Lápis, borrachas, papéis e livros,
nem se dando conta de que a vida corria e de que o
ingrato tempo já incomodava os pais, que temiam que
a menina, tão estudada, não arrumasse um casamento,
pois, naquele tempo, não era muito apreciado uma
mulher em que as ideias pudessem estar recheadas de
caraminholas.
Em uma manhã nublada, a mãe de Narinha entrou
aflita no quarto, abrindo as janelas e mostrando-se
apressada.
Levanta Narinha, rápido!
Narinha ainda assustada senta-se na cama com o
coração disparado:
_ O que houve? Morreu alguém da família?
_Vire essa boca pra lá, menina! Deus é mais!
_Para me acordar desse jeito às 6:00 da manhã,
algo deve ter acontecido de gravidade.
_Nada aconteceu.
Retrucou a mãe :_ Simplesmente,
seu pai conseguiu um noivo para você e ele vem
almoçar conosco hoje e quero que prepare o almoço.
_ Noivo? Mas eu não estou à procura de um
noivo. E tem mais... esqueceu que eu não sei cozinhar?
A Mãe sacudiu-a pelos braços:
_ Levante-se logo, irei fazer o almoço desta vez,
mas, na segunda visita, irá se virar, pois, moça que não
sabe cozinhar, não se casa, e você nem pra Titia fica,
pois, não tem irmãos, então se esforce para agradar,
pois quando a terra engolir a mim e a seu pai, irá
chorar sem um ombro para a consolar.
Contrariada, Narinha levantou-se e foi sentar-se
na Sala para aguardar o seu pretendente.
Olhava para o pequeno diário, onde rascunhava
suas poesias, quando o velho calhambeque parou na
porta do casarão, e desceu um homem corpulento, que
parecia mais velho até que seu pai.
Narinha imaginou ser o noivo e já ia abrindo
a boca para reclamar, quando desceu do carro um
homem mais velho ainda, e aquele, sim, era o noivo,
franzino, com idade para ser o avô de Narinha, essa,
não pôde esconder a sua decepção com a péssima
escolha dos pais. Foi para a cozinha batendo o pé.
_Como podem achar que eu vou casar com
alguém mais velho que Painho? Me digam?
A Mãe colocou o dedo indicador em frente à boca
e disse: _ Silêncio! Ele pode ouvir.
_ Não fique escolhendo a dedo não, pois nem
bonita você é! Disse a mãe em bom tom, e, além do
mais, você tem esse problema de ficar lendo e escrevendo
que nada nesse mundo lhe dá jeito.
_E isso lá é problema, Mainha? Isso é qualidade,
eu não vou casar com nenhum velho jeca, que
escolherem para mim. Não vou, Não vou e não vou!
A Mãe pegou a frigideira quente e ameaçou até
agredi-la com a panela se não falasse mais baixo.
Passada a primeira hora e o primeiro impacto, a
família estava reunida na sala saboreando o almoço,
que, supostamente, fora feito por Narinha, quando o
velho noivo exclamou:
_ Está tudo perfeito! Moça prendada!
Narinha ouvindo aquilo, incomodou-se:
_ A Mamãe sempre foi muito prendada mesmo,
sempre cozinhou muito bem, não é papai?
A mãe corou de vergonha, e o pai não sabia onde
enfiar a cara.
O velho, percebendo que a menina era ousada,
perguntou ao pai.
_ Se ela não sabe cozinhar, o que sabe fazer... que
mal lhe pergunte?
_ Sei Escrever e ler muito bem!
Respondeu
Narinha sem travas na língua.
O velho ficou tenso e o pai começou a engasgar-se.
_ A culpa é da senhora minha esposa, que nunca
soube educar essa menina, fazia todo serviço de casa
para ela ficar enfurnada dentro do quarto escrevendo
sabe deus o que? Alegou o pai.
A Mãe enfureceu-se.
_Culpa minha? Quem ensinou ela a ler? Fui eu?
Que nem sei?
_ Eu que não fui, isso deve ter sido mesmo obra
do Cão, respondeu o pai.
E, assim, a confusão se instalou na hora mais
sagrada da casa da família Epitácio Leão.
O velho estava de olho na Menina, e decidiu
acalmar os brios.
_Não se preocupem, se Narinha é uma moça
inteligente, ao ponto de ter aprendido a ler sozinha,
com certeza, aprenderá a ser uma boa esposa mais fácil
ainda, vamos aguardar. Viajo por 10 dias e, quando eu
voltar, voltamos a conversar e venho experimentar o
cozido de Narinha.
O velho pegou seu chapéu e saiu da casa deixando
um “Redevu” tremendo.
O Pai explicou a Narinha que precisava fazer
aquele acerto, pois, devia um dinheiro ao Cel. Afrânio
e ficaria de bom grado exterminar a dívida em favor do
casamento.
Narinha não estava feliz em contrariar os pais,
mas não se via casada com aquele homem de jeito
algum, mesmo que fosse a mulher mais feia do planeta,
sabia que o amor um dia bateria em sua porta.
A Mãe decidiu levá-la ao médico da cidade, achava
que um bom calmante poderia dar jeito na personalidade
forte da menina, até que o dito “Noivo” voltasse.
_ O que ela tem?
Perguntou o médico.
_ Tenho ideias! Sei ler e escrever, escrevo versos,
declamo-os para mim mesma, responda-me Doutor,
isso é alguma doença grave?
O médico, que era até um homem jovem, ficou
estupefato com a delinquência da mãe em procurá-lo
para cuidar da filha, que, de doente, nada tinha, apenas
uma qualidade de poucas mulheres naquela época.
Pediu que Narinha voltasse no dia seguinte que
iria analisar o caso.
No dia seguinte voltaram as duas.
Narinha ficou quase duas horas dentro do
consultório e, de fora, a mãe ouvia sua voz lendo seus
versos, e achava que o tratamento poderia, realmente,
dar certo, e, assim, nos quatro dias, que se seguiram, a
peleja da mãe começava cedo, levando a jovem para o
centro da cidade, para ficar horas declamando dentro
do consultório.
No quinto dia, Narinha estava mais calma, e,
quando saiu do consultório, pediu à mãe que a levasse
na biblioteca da cidade, pois iria procurar um livro de
receitas e, assim, o coração da mãe se aquietou.
Naquela semana, mais que nunca, Narinha estava
perdida em suas palavras,
Acordava em sua Sintaxe de Sono, espreguiçava
em sua semântica, ria em sua metáfora, almoçava em sua
linguística, descansava em sua morfologia e, para os pais,
ela era uníssona, e só dirigia a estes resmungos monossilábicos,
” Sim, Não, Talvez! “ ela agora se fez verbo.
A Mãe pensava: _Ela se acalmou, eu tinha razão,
o médico resolveria.
O Pai pensava:
_ No fundo, ela gostou da ideia de
se casar, afinal... que moça quer ficar encalhada?
Os dez dias passaram rápido, e no dia marcado,
o alvoroço começou cedo, novamente.
Cortinas abertas, passos apressados na Tábua
corrida do Piso, Galo cantando.
_ACORDAAAA Narinha!
E lá foi Narinha para a cozinha.
A mãe e o pai faziam sala para o coronel, para
que este comprovasse que o almoço estava sendo feito
por Narinha.
E até que, da cozinha, começava a vir um aroma
perfumado de ervas.
A mãe começou a se acalmar e, em pensamentos,
acreditava: “ Tudo dará certo!
Passada a primeira hora, todos foram para a mesa,
para esperar o cheiroso cozido da novata cozinheira.
E ela veio com a Caçarola Fumegante e colocou
na mesa.
Quando abriram a panela, a imediata surpresa, o
ensopado estava azul.
Os pais tentaram disfarçar como se fosse de
praxe, e Narinha pegou a grande concha de metal
fundido, e enfiou na caçarola para servir orgulhosa
seu quitute. E começou a distribuir nos pratos, fartamente,
a sopa, que, ao invés de legumes, apresentava
uma textura diferente.
O pai disfarçou, não querendo perder o negócio
e engordar a dívida e deu a primeira colherada, e,
depois, soltou, animadamente, uma exclamação de ter
gostado: _ Hummmm!
O Velho coronel levantou sua parte com uma
colher e, todos, na mesa, se espantaram, quando o
velho gritou:
_ Essa sopa é feita de papel!
Narinha orgulhosa assumiu:
_ Essa sopa é feita do que eu sei fazer de melhor...
de Palavras! O tom azul é, apenas, a tinta, que saiu no
cozimento, mas todos vocês ignorantes podem agora se
fartar dos meus conhecimentos, comam e se lambuzem!
E foi aquele prá-prá-prá... O pai socou a mesa,
jogando a sopa para o alto, que caiu quente em cima
do pobre do Coronel, aliás, pobre não, Rico Coronel,
que estava todo de branquinho e saiu azul e fumegante
de raiva, com a cara queimada.
A Mãe pegou Narinha pelas orelhas e trancou-a
no quarto, de castigo.
Mas Narinha não chorou... ao contrário.
Abriu a janela dos fundos, soltou sua alma poética,
atravessou o abismo da ignorância, desceu do Penhasco
da inutilidade, subiu o pódio da liberdade, e, com sua
maleta, entrou no automóvel do Doutor, que a esperava
do outro lado da porteira, sedento para cair nos braços
de seus versos e deliciar-se pela vida em sua prosa.
A manhã mal começara e lá estava ela, perdida
no devaneio de suas palavras.
Adorava escrever, desde menina, aprendera
sozinha. Os avós da roça diziam que aquilo tinha sido
obra do capeta, mas, ela nem ligava, escrevia em tudo o
que via, o que na primeira infância lhe renderam boas
palmadas, devido ao estrago feito nas paredes.
Quando ficou moça, não demorou a se enamorar
de um rapaz do colégio, e logo os dias eram preenchidos
nas linhas das enormes cartas de amor, que causavam
frisson, em ambas as partes, quando escritas e quando
lidas, e, assim Narinha foi vendo sua juventude
avançar, em meio a Lápis, borrachas, papéis e livros,
nem se dando conta de que a vida corria e de que o
ingrato tempo já incomodava os pais, que temiam que
a menina, tão estudada, não arrumasse um casamento,
pois, naquele tempo, não era muito apreciado uma
mulher em que as ideias pudessem estar recheadas de
caraminholas.
Em uma manhã nublada, a mãe de Narinha entrou
aflita no quarto, abrindo as janelas e mostrando-se
apressada.
Levanta Narinha, rápido!
Narinha ainda assustada senta-se na cama com o
coração disparado:
_ O que houve? Morreu alguém da família?
_Vire essa boca pra lá, menina! Deus é mais!
_Para me acordar desse jeito às 6:00 da manhã,
algo deve ter acontecido de gravidade.
_Nada aconteceu.
Retrucou a mãe :_ Simplesmente,
seu pai conseguiu um noivo para você e ele vem
almoçar conosco hoje e quero que prepare o almoço.
_ Noivo? Mas eu não estou à procura de um
noivo. E tem mais... esqueceu que eu não sei cozinhar?
A Mãe sacudiu-a pelos braços:
_ Levante-se logo, irei fazer o almoço desta vez,
mas, na segunda visita, irá se virar, pois, moça que não
sabe cozinhar, não se casa, e você nem pra Titia fica,
pois, não tem irmãos, então se esforce para agradar,
pois quando a terra engolir a mim e a seu pai, irá
chorar sem um ombro para a consolar.
Contrariada, Narinha levantou-se e foi sentar-se
na Sala para aguardar o seu pretendente.
Olhava para o pequeno diário, onde rascunhava
suas poesias, quando o velho calhambeque parou na
porta do casarão, e desceu um homem corpulento, que
parecia mais velho até que seu pai.
Narinha imaginou ser o noivo e já ia abrindo
a boca para reclamar, quando desceu do carro um
homem mais velho ainda, e aquele, sim, era o noivo,
franzino, com idade para ser o avô de Narinha, essa,
não pôde esconder a sua decepção com a péssima
escolha dos pais. Foi para a cozinha batendo o pé.
_Como podem achar que eu vou casar com
alguém mais velho que Painho? Me digam?
A Mãe colocou o dedo indicador em frente à boca
e disse: _ Silêncio! Ele pode ouvir.
_ Não fique escolhendo a dedo não, pois nem
bonita você é! Disse a mãe em bom tom, e, além do
mais, você tem esse problema de ficar lendo e escrevendo
que nada nesse mundo lhe dá jeito.
_E isso lá é problema, Mainha? Isso é qualidade,
eu não vou casar com nenhum velho jeca, que
escolherem para mim. Não vou, Não vou e não vou!
A Mãe pegou a frigideira quente e ameaçou até
agredi-la com a panela se não falasse mais baixo.
Passada a primeira hora e o primeiro impacto, a
família estava reunida na sala saboreando o almoço,
que, supostamente, fora feito por Narinha, quando o
velho noivo exclamou:
_ Está tudo perfeito! Moça prendada!
Narinha ouvindo aquilo, incomodou-se:
_ A Mamãe sempre foi muito prendada mesmo,
sempre cozinhou muito bem, não é papai?
A mãe corou de vergonha, e o pai não sabia onde
enfiar a cara.
O velho, percebendo que a menina era ousada,
perguntou ao pai.
_ Se ela não sabe cozinhar, o que sabe fazer... que
mal lhe pergunte?
_ Sei Escrever e ler muito bem!
Respondeu
Narinha sem travas na língua.
O velho ficou tenso e o pai começou a engasgar-se.
_ A culpa é da senhora minha esposa, que nunca
soube educar essa menina, fazia todo serviço de casa
para ela ficar enfurnada dentro do quarto escrevendo
sabe deus o que? Alegou o pai.
A Mãe enfureceu-se.
_Culpa minha? Quem ensinou ela a ler? Fui eu?
Que nem sei?
_ Eu que não fui, isso deve ter sido mesmo obra
do Cão, respondeu o pai.
E, assim, a confusão se instalou na hora mais
sagrada da casa da família Epitácio Leão.
O velho estava de olho na Menina, e decidiu
acalmar os brios.
_Não se preocupem, se Narinha é uma moça
inteligente, ao ponto de ter aprendido a ler sozinha,
com certeza, aprenderá a ser uma boa esposa mais fácil
ainda, vamos aguardar. Viajo por 10 dias e, quando eu
voltar, voltamos a conversar e venho experimentar o
cozido de Narinha.
O velho pegou seu chapéu e saiu da casa deixando
um “Redevu” tremendo.
O Pai explicou a Narinha que precisava fazer
aquele acerto, pois, devia um dinheiro ao Cel. Afrânio
e ficaria de bom grado exterminar a dívida em favor do
casamento.
Narinha não estava feliz em contrariar os pais,
mas não se via casada com aquele homem de jeito
algum, mesmo que fosse a mulher mais feia do planeta,
sabia que o amor um dia bateria em sua porta.
A Mãe decidiu levá-la ao médico da cidade, achava
que um bom calmante poderia dar jeito na personalidade
forte da menina, até que o dito “Noivo” voltasse.
_ O que ela tem?
Perguntou o médico.
_ Tenho ideias! Sei ler e escrever, escrevo versos,
declamo-os para mim mesma, responda-me Doutor,
isso é alguma doença grave?
O médico, que era até um homem jovem, ficou
estupefato com a delinquência da mãe em procurá-lo
para cuidar da filha, que, de doente, nada tinha, apenas
uma qualidade de poucas mulheres naquela época.
Pediu que Narinha voltasse no dia seguinte que
iria analisar o caso.
No dia seguinte voltaram as duas.
Narinha ficou quase duas horas dentro do
consultório e, de fora, a mãe ouvia sua voz lendo seus
versos, e achava que o tratamento poderia, realmente,
dar certo, e, assim, nos quatro dias, que se seguiram, a
peleja da mãe começava cedo, levando a jovem para o
centro da cidade, para ficar horas declamando dentro
do consultório.
No quinto dia, Narinha estava mais calma, e,
quando saiu do consultório, pediu à mãe que a levasse
na biblioteca da cidade, pois iria procurar um livro de
receitas e, assim, o coração da mãe se aquietou.
Naquela semana, mais que nunca, Narinha estava
perdida em suas palavras,
Acordava em sua Sintaxe de Sono, espreguiçava
em sua semântica, ria em sua metáfora, almoçava em sua
linguística, descansava em sua morfologia e, para os pais,
ela era uníssona, e só dirigia a estes resmungos monossilábicos,
” Sim, Não, Talvez! “ ela agora se fez verbo.
A Mãe pensava: _Ela se acalmou, eu tinha razão,
o médico resolveria.
O Pai pensava:
_ No fundo, ela gostou da ideia de
se casar, afinal... que moça quer ficar encalhada?
Os dez dias passaram rápido, e no dia marcado,
o alvoroço começou cedo, novamente.
Cortinas abertas, passos apressados na Tábua
corrida do Piso, Galo cantando.
_ACORDAAAA Narinha!
E lá foi Narinha para a cozinha.
A mãe e o pai faziam sala para o coronel, para
que este comprovasse que o almoço estava sendo feito
por Narinha.
E até que, da cozinha, começava a vir um aroma
perfumado de ervas.
A mãe começou a se acalmar e, em pensamentos,
acreditava: “ Tudo dará certo!
Passada a primeira hora, todos foram para a mesa,
para esperar o cheiroso cozido da novata cozinheira.
E ela veio com a Caçarola Fumegante e colocou
na mesa.
Quando abriram a panela, a imediata surpresa, o
ensopado estava azul.
Os pais tentaram disfarçar como se fosse de
praxe, e Narinha pegou a grande concha de metal
fundido, e enfiou na caçarola para servir orgulhosa
seu quitute. E começou a distribuir nos pratos, fartamente,
a sopa, que, ao invés de legumes, apresentava
uma textura diferente.
O pai disfarçou, não querendo perder o negócio
e engordar a dívida e deu a primeira colherada, e,
depois, soltou, animadamente, uma exclamação de ter
gostado: _ Hummmm!
O Velho coronel levantou sua parte com uma
colher e, todos, na mesa, se espantaram, quando o
velho gritou:
_ Essa sopa é feita de papel!
Narinha orgulhosa assumiu:
_ Essa sopa é feita do que eu sei fazer de melhor...
de Palavras! O tom azul é, apenas, a tinta, que saiu no
cozimento, mas todos vocês ignorantes podem agora se
fartar dos meus conhecimentos, comam e se lambuzem!
E foi aquele prá-prá-prá... O pai socou a mesa,
jogando a sopa para o alto, que caiu quente em cima
do pobre do Coronel, aliás, pobre não, Rico Coronel,
que estava todo de branquinho e saiu azul e fumegante
de raiva, com a cara queimada.
A Mãe pegou Narinha pelas orelhas e trancou-a
no quarto, de castigo.
Mas Narinha não chorou... ao contrário.
Abriu a janela dos fundos, soltou sua alma poética,
atravessou o abismo da ignorância, desceu do Penhasco
da inutilidade, subiu o pódio da liberdade, e, com sua
maleta, entrou no automóvel do Doutor, que a esperava
do outro lado da porteira, sedento para cair nos braços
de seus versos e deliciar-se pela vida em sua prosa.
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