quinta-feira, 27 de outubro de 2016

POESIA NA PRAÇA

Evento realizado em 08/10/2016 na Pça Afonso Pena - Tijuca - Rio de Janeiro, com apoio do escritor Comendador Oliveira Caruso.







quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Dica literária: A Carne (Júlio Ribeiro)

A obra ambienta-se no Brasil, na época do império e da escravidão, aborda a sociedade brasileira e seus costumes em relação à educação das moças e ao casamento. Utiliza-se de conhecimentos científicos adquiridos pelas personagens para tomar ritmo em certos pontos e, apesar de tratar-se de um romance, foge muito à linguagem poética esperada deste tipo de obra. Lenita não idealiza o amor da mesma forma que outras moças da sua idade o fariam, pelo contrário, evita-o, não tem o desejo de casar-se e quando sente pela primeira vez a vontade de ter um homem junto a si, descreve quase com frieza as razões – sabe que caso se case terá filhos que dependerão dela, em outro ponto fica muito claro ao leitor que a moça sabe que se trata de uma questão biológica, a fêmea procurando por seu macho. Mesmo em sua momentânea decepção ao conhecer Barbosa, homem que ela tanto vinha imaginando e desejando conhecer, não há grandes rompantes de emoção. Em relação a Barbosa o mesmo se passa durante a narrativa: Divorciado da primeira mulher apaixona-se por Lenita concluindo que “não consegue estar longe da rapariga”, mas também por parte dele não há durante toda a narrativa grandes arroubos sentimentais. É quase uma narrativa lógica, linear, onde os próprios personagens, instruídos que são, ocupam-se em explicar o próprio estado de espírito. As personagens principais são Lenita e Barbosa, as outras personagens servem de apoio à narrativa, sem grande participação ativa, servindo vez ou outra para que os personagens possam mostrar seus conhecimentos. Os personagens são simples: Introduz-se o romance contando a vida do Dr. Lopes Matoso, bem sucedido, órfão aos 18 anos, pouco tempo após casar-se perde a esposa, morta de parto. Viúvo, pai de uma menina – Lenita – decide mudar-se para uma chácara, isolando-se da cidade e de boa parte dos amigos. Lenita cresceu cercada pelos cuidados do pai e por uma educação primorosa, superior à das meninas de sua época, conhecedora das ciências, das artes e de alguns idiomas, além de praticante de equitação e ginástica. Ao chegar ao período da juventude (o livro não se refere assim, mas subentende-se que se trata do período da adolescência), Dr. Lopes Matoso volta à cidade com Lenita e começam a surgir os pedidos de casamento, sempre recusados por uma Lenita segura de si.
Ainda no primeiro capítulo, dá-se outra reviravolta na história: Dr. Lopes Matoso morre, deixando Lenita órfã. O isolamento e a tristeza a levam a refugiar-se na fazenda do Coronel Barbosa, antigo tutor de seu pai, idoso, doente de reumatismo, casado com uma octogenária que mal se movimentava e era meio surda. Os primeiros tempos da moça na fazenda são relativamente isolados, ainda cercados pelo luto, chegando ela inclusive a cair doente. A partir da recuperação da personagem, o autor passa a descrever uma mudança radical de comportamento na moça: Ela deixa de comportar-se de maneira viril, passa a sentir necessidade de se “afeminar”, volta a tocar piano, lê romances mais melosos, desinteressando-se temporariamente das ciências às quais antes se dedicava com afinco. Nessas alturas, Lenita tem o primeiro delírio erótico.
Observe-se que o casal idoso que acolheu Lenita tem um filho: Manoel Barbosa, já quarentão, ausente durante tempos em função das caçadas, viajado, bem instruído em idiomas, artes e ciências, casado com uma francesa da qual se divorciara por não aguentarem-se morando juntos. Manoel Barbosa é tema recorrente nas conversas da casa e Lenita, em sua solidão e influenciada pelas “necessidades da carne” começa a idealizar nele o homem ideal: belo, gentil, instruído e espera ansiosamente por sua chegada. Imagina-o semelhante à estatueta de bronze, muito máscula e viril com a qual teve pela primeira vez devaneios eróticos. 
Novamente o autor modifica o comportamento da personagem: Vejamos, no início da narrativa, uma garotinha, órfã de mãe e excessivamente instruída (tal descrição nos é dada sem participação ativa de Lenita). A garotinha cresce e torna-se moça, em idade apropriada para o casamento, independente e forte o suficiente para recusar pretendentes, quase viril por seus interesses e atitudes. Após a morte do pai e o isolamento na fazendo do Coronel Barbosa, passa por uma fase em que toma hábitos mais femininos e experimenta pela primeira vez os desejos da carne, as necessidades do corpo que deveriam-na arrastar a um casamento. Novamente modifica-se o comportamento da personagem, que passa a comportar-se de maneira feminina (uso de perfumes, cuidados com os cabelos, roupas, etc.) e ao mesmo tempo viril (caminhadas e exercícios ao ar livre, caçadas, banhos de riacho).
A notícia da iminente chegada de Barbosa aflora ainda mais a imaginação de Lenita, que se veste e o espera o mais bela possível. Quando o conhece, uma grande decepção: Ele chega coberto de chuva e lama, recendendo a pinga, tomado por uma enxaqueca forte que o deixa quase indelicado. Segue-se uma narrativa do estado de espírito da moça – decepcionada com o homem que ela esperava ser “perfeito” e consigo mesma por ter-se deixado levar por estas fantasias, tão instruída que era. Novamente indisposta, enclausura-se em seu quarto (veremos no decorrer da narrativa que este parece um expediente comum: Tensão nervosa – doença/indisposição – refúgio no quarto) durante pelo menos dois dias.
Novamente Julio Ribeiro nos brinda com uma reviravolta na narrativa: Lenita e Manoel Barbosa (ou Barbosa, como será chamado na maior parte dos momentos) encontram-se no pomar, nascendo uma amizade intensa que os une em diversas atividades: estudos de botânica, ciências, línguas, literatura, passeios ao ar livre, experiências com eletricidade. Ela tem “certeza” de que o ama, ele mostra-se em certo ponto assustado pela consciência de que sem ela já não consegue mais viver. Uma viagem de urgência, a negócios o faz retirar-se para Santos, decidido a deixar morrer qualquer sentimento que tivesse por Lenita, já que não poderia desposá-la (ressalte-se aqui: O livro se passa na época em que ainda havia escravos no Brasil, portanto a noção de moral e costumes era diferente: Mesmo divorciado, o homem não poderia casar-se novamente e os relacionamentos entre não-casados eram condenados pela sociedade).
Quando retorna, Barbosa encontra Lenita caçando e esta atividade passa a ser diária. Lenita desdobra-se em cuidados com ele e ele com ela. Certo dia, ele prepara um abrigo e uma ceva na mata (ceva: um local onde é deixado alimento, para atrair os animais), para atrair mamíferos maiores para que Lenita possa caçar. Inicialmente corre tudo como o planejado, Lenita fica feliz, a caçada é um sucesso; dias depois, ela vai sozinha à ceva e acaba sendo picada por uma cascavel. Neste trecho do livro é interessante notar a noção de auto-socorro da moça, que imediatamente faz o que chamamos garrote na própria perna (fazer garrote consiste em amarrar fortemente um membro do corpo – no caso o membro onde se sofreu a picada do animal venenoso – de forma a dificultar a circulação do sangue para outras partes). Chamado pela escrava para socorrê-la, Barbosa suga parte do veneno e leva-a para casa, velando-a durante toda a noite e tratando-a de acordo com seus conhecimentos elementares de medicina. Lenita acredita que irá morrer, apesar dos cuidados de Barbosa e acaba por confessar-lhe que o ama.
Lenita sobrevive, mas operam-se mudanças em seu comportamento. Tal qual no início de sua estadia na fazenda, ela torna-se meditativa, lânguida, perde muito de sua vontade de estudar, não caça; Barbosa também modifica sutilmente seu comportamento. Ele deseja Lenita, está mesmo decidido a tomá-la por amante, porém não tem a coragem necessária para tal feito e é por iniciativa de Lenita que ocorre a primeira relação sexual do casal, que passa então a encontrar-se em segredo todas as noites. Um acidente na fazenda faz com que Barbosa precise viajar e, Lenita, ajeitando seu quarto acaba encontrando recordações de outras mulheres. Tal descoberta a deixa transtornada e, novamente diante de uma lógica inesperada ela percebe que seu humor tem tido alterações freqüentes, bem como que tem enjoado até mesmo com o cheiro de Barbosa e, contando em seu calendário o tempo de atraso de suas regras (regras = menstruação) concluí que está grávida. Diante de tal fato, muda-se para São Paulo. Barbosa, ao voltar para a fazenda descobre a partida de Lenita, sem, no entanto entender. Mostra-se triste e pensa em suicídio, mas mantém-se calmo e nada faz neste sentido. Tempos depois chega uma carta onde Lenita narra-lhe detalhadamente suas observações sobre a viagem e sobre São Paulo e explica-lhe que partiu por estar grávida e saber que seu filho precisaria de um pai que lhe pudesse dar um nome, que contatou um antigo pretendente de boa posição social que aceitou casar-se com ela e assumir a criança, que iria com ele para a Europa por um tempo e que quando a criança nascesse iria chamar-se Manoel ou Manoela. Neste ponto quebra-se pela primeira vez na narrativa toda a lógica dos personagens, a ponderação racional e científica. Barbosa sente-se usado, abandonado e sem forças para continuar e, utilizando-se das noções de química e medicina prepara uma injeção que o matará e suicida-se. O pensamento lógico retorna exatamente neste momento em que nada mais do que lágrimas e emoções são esperados: O veneno que Barbosa utilizou retira-lhe os movimentos e capacidade de se expressar, mas não a consciência e ele ouve o momento em que o pai entra em seu quarto e o vê sem movimentos e julgando-o morto grita “meu filho morreu”, vê o momento que sua mãe, como por milagre, pois a muito tempo não andava vai até ele e chora. Neste momento ele se dá conta do que fez, de que ainda possuía uma família, de que Lenita jamais o amara, que era uma mulher instruída, bela e que o havia utilizado apenas para saciar suas necessidades fisiológicas e que não valia a pena morrer pelo amor de uma mulher como ela, porém é demasiado tarde, pois embora possuísse o antídoto do veneno, não havia ali quem soubesse e pudesse aplicar e ele mesmo estava impossibilitado de comunicar-se com quem quer que seja para explicar como salva-lo. E este é o fim de Barbosa: Preso em sua própria consciência, sem movimentos, aguardando a morte chegar.

domingo, 9 de outubro de 2016

Dicas literárias: Nunca lhe prometi um jardim de rosas

Deborah é uma garota judia de 16 anos, bonita, inteligente e está sendo levada pelos pais, Esther e Jacob para um hospital psiquiátrico. Até onde as experiências vividas na infância interferem sobre a saúde mental de um indivíduo? Qual o papel da família? O amor sufocante e as expectativas geradas pelos pais e parentes próximos podem prejudicar mais do que ajudar o desenvolvimento? E as experiências vividas em sociedade? Nas quase 300 páginas de “Nunca lhe prometi um jardim de rosas” Hanna Green aborda estes temas através de Deborah, que pouco a pouco se vai distanciando da realidade do mundo, trocando-o por Yr, seu mundo imaginário até ser internada em um hospital psiquiátrico, diagnosticada como portadora de esquizofrenia.
O livro não apresenta uma narrativa linear. Não narra a infância de Deborah, sua adolescência, sua internação e seu final de forma ordenada. As informações vão sendo aos poucos extraídas pela psiquiatra, Dra. Fried. Cada sessão parece ao mesmo tempo um alívio e uma tortura para a garota e cada passo para longe do abismo parece preceder dois em direção a ele. Deborah, em seus momentos de lucidez, muitas vezes parece filosofar sobre a própria situação, bem como sobre a situação das demais pacientes. Há uma descrição detalhada do ambiente hospitalar, suas alas, seus funcionários e sua relação com os pacientes, relação esta muitas vezes de medo, nojo, raiva e, em alguns casos carinho e dedicação; os cuidadores muitas vezes acabam também influenciados pelas doenças tratadas – ao ponto de tornarem-se doentes também.
É uma leitura interessante e densa. Nada de floreios poéticos. Faz pensar no papel da família e da sociedade na formação do individuo e em sua saúde mental. Escrito em 1964, pela autora americana Joanne Greenberg sob o pseudônimo de “Hanna Green”, a obra ganhou uma versão cinematográfica em 1977.
Vale a pena conferir.




quarta-feira, 17 de agosto de 2016

VARAL DO BRASIL - O QUE ESTÁ ESCRITO NÃO MORRE


COMUNICADO

A TODOS OS AMIGOS QUE ACOMPANHAM O VARAL DO BRASIL
 
SABER O MOMENTO EXATO
 
Saber o momento exato para alguma coisa é algo muito difícil, se não for, mesmo, algo impossível. O momento exato de começar algo, de levar adiante e enfim, de parar. Eis o que talvez seja o mais difícil de tudo. Saber o momento de parar.

Hoje, a dois meses de completar sete anos de atividades, venho comunicar a todos os amigos que o VARAL DO BRASIL está encerrando suas atividades, nelas incluindo aqui a revista literária, motor do que se tornou o Varal para a comunidade literária lusófona internacional.

Iniciei o Varal em 2009 com o objetivo de fazer “literatura sem frescuras” num mundo literário avesso à simplicidade e aos escritores “iniciantes”. Considero que fui longe, bem mais do que poderia sequer mesmo imaginei. A revista, as antologias, os concursos, as participações no Salão Internacional do Livro de Genebra, os eventos aqui na Suíça e no Brasil... Um longo, frutuoso e feliz caminho, por onde fui encontrando pessoas que hoje são mais do que pessoas conhecidas, são amigas que guardo no coração.

Quando comecei o Varal não havia atividade literária brasileira aqui na Suíça e as atividades literárias brasileiras pela Europa eram muito poucas e nada parecido com o Varal existia. Fui pioneira em tantos projetos nesta área que confesso, se não ouvisse de outras pessoas o que ouço, custaria a acreditar que fiz mesmo tudo isto. Dei trabalho? Deu, ô seu deu.... Mas valeu tanto a pena!

Iniciei e termino as atividades do Varal do mesmo jeito que elas sempre foram realizadas: sozinha. Sempre me perguntaram (e me perguntam) sobre minha equipe. Enviam até Feliz Natal para minha equipe e minha filha bem que tentou me fazer “criar” uma secretária para ao menos dar uma “boa impressão”...
Mas não havia mais ninguém. Meu sonho sempre foi muito particular e, no fim das contas, trabalhar meio solitária, mas com música e meu cachorrinho do lado, é algo que muito aprecio. Bem, fica então aqui registrado, nesta despedida, que o VARAL DO BRASIL sempre foi apenas eu mesma, sem equipe. Vocês conhecem aquele “homem-orquestra” que toca pelas ruas em alguns lugares pelo mundo e algumas vezes faz shows por aí? Pois é, eis o que fui para o Varal do Brasil. Com muita vontade, força e alegria, respondi milhares de e-mails, mensagens recebidas no site, blog e redes sociais. Li, analisei, revisei milhares de textos de todos os gêneros. Li e divulguei centenas de livros. Mais de sessenta números da revista circularam e circulam pelos cinco continentes, levando literatura lusófona da forma mais descontraída possível a pessoas que não tinham acesso a ela antes que nosso Varal fosse pendurado pelos céus literários. Fui aos poucos aprendendo a lidar com os softwares necessários para a edição, fotografia e etc... Horas sem número de pesquisas, leituras, escolhas de capa, ilustrações.... Enfim, com dedicação e todo o amor que sempre tive pela literatura e pelas pessoas com ela envolvidas. Viajei muito, montei e desmontei estandes (com a ajuda fiel e preciosa do Paulo), carreguei muitas malas e caixas de livros por aqui e pelo Brasil! Derrubei caixa de livros sobre os pés, chorei de cansaço, gritei inúmeras vezes que não faria mais nada. Mas continuei, sempre por amor, livros embaixo dos braços e muito boa vontade no coração. Enfim, fui à luta pela literatura sem frescuras tão cara à minha vida!

Sempre tive o apoio do Paulo e dos meus filhos, que tantas vezes me esclareciam, abriam os olhos, me faziam críticas necessárias e construtivas e foram meu braço direito durante os dias de Salão do Livro aqui em Genebra. Minha filha sempre prática e certeira me dando conselhos preciosos; meu filho, artista na alma, dando ideias que só poderiam vir de alguém talentoso como ele. Ao Paulo, companheiro incansável do cotidiano e das lutas do Varal,  serei eternamente grata por tudo o que representou para mim enquanto Varal do Brasil, investindo seu tempo no Salão e outros eventos e, não poderia deixar de dizer, investindo financeiramente de forma massiva para que as antologias e o estande em Genebra pudessem se realizar. E para que a revista fosse sempre gratuita como o será até seu último número. Não vou esquecer que até uma livraria tentei fazer aqui, sem muito sucesso, tendo em vista a dificuldade de encontrar em Genebra e região o público alvo necessário. Mas tentei.

Tenho que agradecer de todo o coração os colaboradores da revista, alguns desde o primeiro número, fiéis escudeiros que me acompanham há anos e que foram, sem dúvida alguma, as sementes e os frutos sem os quais não haveria a revista! Não citarei nomes para não deixar algum de lado, pois foram mais de mil pessoas que passaram pelo Varal no seu conjunto de atividades. Porém,  saibam, não esqueço o nome de vocês porque sei, “de cor e salteado” como se chama todo aquele e toda aquela que já participou de algo que tenha feito com o Varal do Brasil! Conheço todos, sem exceção e sou fã!
 
Agradeço também, com o coração, a todos os leitores amigos, sinceros, críticos, elogiosos, pessoas que foram fundamentais para a existência da revista! Graças aos leitores, a repercussão do Varal do Brasil sempre foi grande, cada edição indo mais longe que anterior. Agradeço particularmente aqueles que disponibilizaram a revista em seus sites e blogs, compartilharam por e-mail e nas redes sociais. Agradeço também, coração na mão, aos que levaram a revista à imprensa, escreveram notas, artigos, etc. Vocês todos são mil!

O VARAL DO BRASIL uniu pessoas pelo mundo. (Sim, eu sei, acabei de dizer que o Varal sou “eu sozinha” e depois escrevo desta forma... Pois é, e eu mesma já me acostumei a falar de mim na terceira pessoa me chamando de Varal. Cansei de ir a lugares onde as pessoas se dirigiam a mim como: “Ah, você que é o Varal? ” E eu, muito naturalmente, respondia sim...!) Minha mãe diria que é para isto que nasci, “para juntar as pessoas”, mesmo as mais diferentes! Ela me dizia isto lá na infância, depois repetiu na juventude e na idade adulta, ao me ver reunir os amigos, que geralmente pertenciam a turmas distintas e se reencontravam através de mim. Devo ser mesmo de natureza agregadora, pois faço isto naturalmente e me sinto tão feliz!

Através... Sim, através dos eventos, das antologias e da própria revista, as pessoas foram se unindo, reunindo, fazendo amizade umas com as outras, criando projetos juntas, concretizando planos, criando e desenvolvendo coisas nas quais me sinto incluída e muitas das quais me orgulho. Este é o maior legado que estou deixando ao encerrar o Varal: um traço forte de união e amizade que permanecerá além do que fiz, aliado a um conjunto de realizações que seguem levando a literatura lusófona adiante aqui no exterior.
Como eu disse no início, saber o momento exato para algo é de uma impossibilidade que até os céus hão de concordar! Mas na verdade, não é preciso saber. É preciso sentir. Sentir na alma, no coração. E quando se tem este sentimento, não há dúvida, é a hora. 

Bem, chegou minha hora de parar. A “mulher-orquestra” do Varal encerra suas atividades feliz com tudo o que realizou, realizada com tudo o que foi cumprido e que nunca foi um dever ou uma obrigação. Teve com ela músicos de excelente qualidade que, de tantos lugares, vieram e tocaram junto. Despedidas duras se fizeram (Saudades da Renata e da Sáskia que partiram!),  assim como se solidificaram amizades apesar da distância.

Agradeço a todos os que participaram, que enviaram textos, que me alegraram com suas mensagens e papos, com seus sorrisos, gargalhadas, incentivos, dicas, comentários. Agradeço aos que me enviaram críticas que me fizeram crescer, ser uma pessoa melhor e fazer melhor o meu trabalho. Agradeço a todos os que tentaram, infelizmente, me fazer mal, pois estes últimos foram o mal necessário para que meus olhos se abrissem mais e meus pés permanecessem no chão.
 
Todos são parte daquilo que que sinto na alma: Houve uma vitória! Vejo isto ao ver o que se tornou o Varal hoje. Sucesso consolidado.  

Enfim, chegou a hora de fechar as cortinas. Em setembro, quando a edição for distribuída, será o final deste projeto de literatura sem frescuras que conquistou tantos poetas, tantos escritores, tantas inspirações. Mas não será o fim das amizades.... Nos veremos por aí, porque a revista Varal se encerrará, mas a vida continua!

Abraço amigo, com carinho,
Jacqueline (Varal do Brasil)

Prezada Jacqueline,
Embora ainda não a conheça pessoalmente, quero deixar registrado o meu apreço pela pessoa que demonstra ser muito gentil, educada, culta, inteligente e interessada em disseminar o saber e a cultura.
Quanto a trabalhar sozinha na realização do seu objetivo, você conseguiu o valoroso resultado, acredito eu, porque consegue ser várias mulheres ao mesmo tempo, cada uma fazendo a sua parte, para mostrar ao mundo com o Varal, que o universo das artes e  literatura  brasileira, não se resume ao que encontramos nas livrarias.
Muito obrigado por dar a oportunidade de incluir o meu nome como um dos componentes  desse rico trabalho. 
Seja muito feliz ao lado dos seus.

Mario Rezende