domingo, 9 de junho de 2019

No amor

No amor
Vida e morte
Alegria e dor
A alma encontra
Lágrima e riso se misturam
Na dança da paixão -
Onde bailam os amantes,
Mais alegres que antes,
Menos tristes que amanhã.
No amanhecer nublado
Onde toda a ilusão se despedaça
E a felicidade, sentimento alado
Voando se vai como nuvem de fumaça
E já não há nestes tristes braços
Ninguém para amar
(Poesia: Darlene R. Faria)

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Indagações

Pergunte-me quem sou
E te responderei:
Sou aquela que te ama
Idolatrando teu corpo e alma
Que quer se consumir no fogo do teu amor
Sou a paixão cega e mortal
Ardente e fria
Que é minha vida e minha morte
Sou a imensidão de um sentimento
Que não se pode sufocar
Temporal e calmaria
Tempestade de paixão
Sou da rosa pétala e espinho
Sou aquela que o amor tornou doce
E de tão doce,amarga…
Ser que vaga perdido
Num mundo que sem você
Não tem brilho, nem por que

(Darlene R. Faria)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Destino

Destino?
Amar a ti mais do que a mim?
Quero-te e num suspiro aflito,
Chamo-te.
Chama que me consome
Primavera que me desabrocha
Olhar que me leva.
Em direção a vida? Ou às profundezas do vale
Onde cruel e morte impera
E a todos nós espera?
Com sua negra capa e sua foice
Dama impiedosa, amiga dos amantes
Que se querem e neste mudo não se podem ter
E resta-lhes apenas, pacientes
Sua visita aguardar
Sua visão buscar
Num obscuro lampejo de esperança
De no infinito finalmente
Amar, de maneira inocente
Como criança
à luz do luar, teus braços buscar
Em outro mundo, muito além daqui
Amar

(Poesia: Darlene R. Faria)

domingo, 19 de maio de 2019

Apenas palavras desconexas

O frio do ar gela meu coração
E nessa tarde de outono
Teu olhar, selvagem e doce
Faz-me flutuar pela imensidão
E me vem à mente palavras desconexas
Frutos da doce ilusão
Dessa amarga paixão
Claridade e escuridão
Dor, amor
Calor, solidão
Sentimentos brotam
Incontroláveis
Nessa tempestade de amar
A quem está-se condenado
A jamais poder tocar.

sábado, 18 de maio de 2019

BORBOLETEAR



BORBOLETEAR


Breve vai chegar o hora,
vou deixar essa vida de larva,
lagarta que se arrasta  pelo chão,
estágio de provação que eu preciso viver
para construir o meu futuro,
e, na clausura, produzir o meu retorno triunfante.
Dar à luz minhas asas
de colorido exuberante
e beleza sem par,
para viver, ainda que efêmera,
minha sonhada  liberdade,
a vida colorida nos jardins
que a natureza, em recompensa,  me oferece.
Vou beijar as flores,
Exibir e entregar minha beleza,
distribuir o amor,
borboletear por aí,
na tentativa de continuar.

terça-feira, 7 de maio de 2019

#MemóriasdaPoetisa #2010 [Sobre transformar trabalho em poesia]



O ano é 2010. Lembro-me do salão esfumaçado pelos cigarros, do cheiro abafado de tabaco, cerveja, comida e papel. O salão era pequeno e tínhamos o constante receio de que mais hora, menos hora, fosse fechado – afinal, ainda se discutia a legalidade ou não do jogo em nosso país e, até aquele momento (e até hoje) o jogo vinha sendo considerado ilegal. Enquanto as rodadas iam se repetindo, eu vendia meus lanches mesa por mesa, pegava cafés e observava as pessoas – aliás, muito embora a escrita tenha sido minha diversão desde tenra idade, foi verdadeiramente nos salões dos bingos que comecei a observar as pessoas, entendendo-as como personagens. Lembro que,  por vezes eu pegava uma cartela usada e me colocava a escrever poesias na parte de trás – hábito cuja freqüência crescia nos meses chuvosos e nos meses frios, principalmente no horário da noite. E especialmente, lembro de ter, certa vez, decidido escrever algo poético sobre... Bingos! Pois é, decidi que o trabalho deveria ser também um motivo de poesia – como tudo na vida. E eis que surge este poema simples e engraçado que, por alguns meses chegou a ficar afixado junto aos locutores:

Bingo
Bolinhas que pulam
Bolinhas numeradas
Bolinhas que falam
As linhas premiadas
Doces rodadas
Lindas partidas
Especiais bem lentas
Outras bem corridas
A boa! Bingo! Linha!
Passa a régua
“Só emoção”
Bingos eternamente
Em meu coração

(29-03-2010)

Os empregos sempre nos ensinam alguma coisa – comecei a trabalhar como garçonete em bingos no ano de 2005, permanecendo até 2010. Neste período vivi “causos” engraçados e também me estressei muito. Tomei gosto pelo trabalho pesado, aprendi a gostar de trabalhar com o público: era necessário atender bem, com rapidez e disposição – mesmo quando a madrugava já avançava junto com o sono. Ter trabalhado em bingos certamente me fez atenta e paciente e eu não tenho vergonha nenhuma de ter transformado os salões em poesia, mesmo que isso me tenha custado várias piadas.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Amizade

O que dizer da amizade?
Dizer que ela é o amor,
Em todo o seu teor?
O Amor de verdade?
 
O amor que não aprisiona
Grandeza que nos impressiona
Fonte de Luz
Sentimentos juntos, fortes, nus
 
Pureza que encanta
Sentir pelo qual a vida canta
Persegue
Faz com que nossa alma sossegue
 
Amizade verdadeira
Cristalina
Lágrima derradeira
De alegria, que meu sorriso ilumina.

sábado, 27 de abril de 2019

ENCANTO


ENCANTO

No entrocamento da forquilha,
no ápice de uma bela árvore
cujo nome, eu acho, é lanterneira,
que mora em frente à pousada
Meu Refúgio, em Friburgo,
um passarinho fez um ninho
que oscilava com o vento.
Da pequena ave eu não sei o nome
mas conheci muito bem o seu lindo trinado,
pois insistia em gorjear graciosamente para mim.
E, assim, diariamente me encantava,
de manhãzinha quando ouvia que me chamava
abria a janela para retribuir o bom dia,
cujo sol ainda frio trazia.
E ela, lá do alto
entoava o seu canto
que, como encanto,
enchia o meu peito de alegria.

Mario Rezende

sábado, 20 de abril de 2019

CONFUSO



CONFUSO
Se eu fosse te comparar com um astro,
eu diria que é uma gata... uma graça...
 garça... elegância e beleza enfeitando o sol
que brilha na água azul, reflexo de luz.
E, se eu te pensasse um animal livre na natureza?
Uma estrela?... Coruja... Os grandes olhos brilhando
como o reflexo da lua nas águas do rio... amarelos
como a mata quando era virgem...
Verdes como o rastro da estrela cadente...
que incita a imaginação colorida como o arco-iris.
Ascendente como o calor que brota no desejo
e sai das entranhas, do âmago da Terra e se transforma
no Sol que me inflama e pinta de fogo
a Lua cheia nas noites quentes de verão e aquece a libido,
a vontade de ter  que surge, urge e ruge na cama de relva...
de areia... nas nuvens, a fêmea... flor...mulher...
e eu me sinto assim como pólen.. spitz... um grão de areia...
Você me deixa confuso, sem fuso, sei lá, sem lá, nem cá, nem aí...

Mario Rezende

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Desejo, carne e paixão


Quero novamente sobre mim,
Tuas mãos profanas,
Maculando meu corpo,
Fazendo-me tua,
Engolindo-me
Teu corpo quente,
Tua respiração ofegante,
Teu semblante...
Selvagem
Provocante
Teu ápice
Prazer,
Inundação.
Quero você!
Meu Senhor
Meu Dono
Meu Amor
Quero me incendiar em teu calor
Quero ver teu corpo digladiar minha carne
Num grito que cortará a noite
O espaço
O tempo
E despertará em todos os mundos a essência do prazer
O desejo da entrega
Que como gênios mitológicos dominarão o mundo
E então tudo se resumirá simplesmente em
Desejo
Carne e Paixão.
(06/05/2009 - Escrito para um conto e nunca utilizado)