sábado, 18 de maio de 2019

BORBOLETEAR



BORBOLETEAR


Breve vai chegar o hora,
vou deixar essa vida de larva,
lagarta que se arrasta  pelo chão,
estágio de provação que eu preciso viver
para construir o meu futuro,
e, na clausura, produzir o meu retorno triunfante.
Dar à luz minhas asas
de colorido exuberante
e beleza sem par,
para viver, ainda que efêmera,
minha sonhada  liberdade,
a vida colorida nos jardins
que a natureza, em recompensa,  me oferece.
Vou beijar as flores,
Exibir e entregar minha beleza,
distribuir o amor,
borboletear por aí,
na tentativa de continuar.

terça-feira, 7 de maio de 2019

#MemóriasdaPoetisa #2010 [Sobre transformar trabalho em poesia]



O ano é 2010. Lembro-me do salão esfumaçado pelos cigarros, do cheiro abafado de tabaco, cerveja, comida e papel. O salão era pequeno e tínhamos o constante receio de que mais hora, menos hora, fosse fechado – afinal, ainda se discutia a legalidade ou não do jogo em nosso país e, até aquele momento (e até hoje) o jogo vinha sendo considerado ilegal. Enquanto as rodadas iam se repetindo, eu vendia meus lanches mesa por mesa, pegava cafés e observava as pessoas – aliás, muito embora a escrita tenha sido minha diversão desde tenra idade, foi verdadeiramente nos salões dos bingos que comecei a observar as pessoas, entendendo-as como personagens. Lembro que,  por vezes eu pegava uma cartela usada e me colocava a escrever poesias na parte de trás – hábito cuja freqüência crescia nos meses chuvosos e nos meses frios, principalmente no horário da noite. E especialmente, lembro de ter, certa vez, decidido escrever algo poético sobre... Bingos! Pois é, decidi que o trabalho deveria ser também um motivo de poesia – como tudo na vida. E eis que surge este poema simples e engraçado que, por alguns meses chegou a ficar afixado junto aos locutores:

Bingo
Bolinhas que pulam
Bolinhas numeradas
Bolinhas que falam
As linhas premiadas
Doces rodadas
Lindas partidas
Especiais bem lentas
Outras bem corridas
A boa! Bingo! Linha!
Passa a régua
“Só emoção”
Bingos eternamente
Em meu coração

(29-03-2010)

Os empregos sempre nos ensinam alguma coisa – comecei a trabalhar como garçonete em bingos no ano de 2005, permanecendo até 2010. Neste período vivi “causos” engraçados e também me estressei muito. Tomei gosto pelo trabalho pesado, aprendi a gostar de trabalhar com o público: era necessário atender bem, com rapidez e disposição – mesmo quando a madrugava já avançava junto com o sono. Ter trabalhado em bingos certamente me fez atenta e paciente e eu não tenho vergonha nenhuma de ter transformado os salões em poesia, mesmo que isso me tenha custado várias piadas.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Amizade

O que dizer da amizade?
Dizer que ela é o amor,
Em todo o seu teor?
O Amor de verdade?
 
O amor que não aprisiona
Grandeza que nos impressiona
Fonte de Luz
Sentimentos juntos, fortes, nus
 
Pureza que encanta
Sentir pelo qual a vida canta
Persegue
Faz com que nossa alma sossegue
 
Amizade verdadeira
Cristalina
Lágrima derradeira
De alegria, que meu sorriso ilumina.

sábado, 27 de abril de 2019

ENCANTO


ENCANTO

No entrocamento da forquilha,
no ápice de uma bela árvore
cujo nome, eu acho, é lanterneira,
que mora em frente à pousada
Meu Refúgio, em Friburgo,
um passarinho fez um ninho
que oscilava com o vento.
Da pequena ave eu não sei o nome
mas conheci muito bem o seu lindo trinado,
pois insistia em gorjear graciosamente para mim.
E, assim, diariamente me encantava,
de manhãzinha quando ouvia que me chamava
abria a janela para retribuir o bom dia,
cujo sol ainda frio trazia.
E ela, lá do alto
entoava o seu canto
que, como encanto,
enchia o meu peito de alegria.

Mario Rezende

sábado, 20 de abril de 2019

CONFUSO



CONFUSO
Se eu fosse te comparar com um astro,
eu diria que é uma gata... uma graça...
 garça... elegância e beleza enfeitando o sol
que brilha na água azul, reflexo de luz.
E, se eu te pensasse um animal livre na natureza?
Uma estrela?... Coruja... Os grandes olhos brilhando
como o reflexo da lua nas águas do rio... amarelos
como a mata quando era virgem...
Verdes como o rastro da estrela cadente...
que incita a imaginação colorida como o arco-iris.
Ascendente como o calor que brota no desejo
e sai das entranhas, do âmago da Terra e se transforma
no Sol que me inflama e pinta de fogo
a Lua cheia nas noites quentes de verão e aquece a libido,
a vontade de ter  que surge, urge e ruge na cama de relva...
de areia... nas nuvens, a fêmea... flor...mulher...
e eu me sinto assim como pólen.. spitz... um grão de areia...
Você me deixa confuso, sem fuso, sei lá, sem lá, nem cá, nem aí...

Mario Rezende

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Desejo, carne e paixão


Quero novamente sobre mim,
Tuas mãos profanas,
Maculando meu corpo,
Fazendo-me tua,
Engolindo-me
Teu corpo quente,
Tua respiração ofegante,
Teu semblante...
Selvagem
Provocante
Teu ápice
Prazer,
Inundação.
Quero você!
Meu Senhor
Meu Dono
Meu Amor
Quero me incendiar em teu calor
Quero ver teu corpo digladiar minha carne
Num grito que cortará a noite
O espaço
O tempo
E despertará em todos os mundos a essência do prazer
O desejo da entrega
Que como gênios mitológicos dominarão o mundo
E então tudo se resumirá simplesmente em
Desejo
Carne e Paixão.
(06/05/2009 - Escrito para um conto e nunca utilizado)

domingo, 31 de março de 2019

Doce Amor


Imaginei
Teu corpo sobre o meu
Tua carne sobre a minha, ainda imaculada
Teu beijo de mel
Eu em teus braços atada

Sonhei
Com teu hálito quente
Tuas mãos ardentes
Um gemido entre os dentes
Um grito de prazer do corpo da gente

Fantasiei
Você... Amante
Amado, amigo
Herói

Vivi... Destino
Prazer
Desatino

Em teu corpo senti
Sonhei
Tremi

Provei
Teus sabores
Teu beijo
Teu gosto
Teu corpo

E mais ainda eu quis
Tocar-te
Cheirar
Amar

Engolir, guardar
Você dentro de mim
Em teus olhos, me ferir
Nos teus abraços, me curar

Quero te amar
E te amar
Simplesmente, amar

Não quero te prender
Nem te perder
Quero-te livre
Quero ser teu ninho
pr'onde cansado, qual passarinho
Voltarás

Em vários corpos sei que viverás
Várias tu ainda amarás
De várias maneiras
Por motivos vários

Mas sempre que quiser
Doce mel, beijos com sabor de lar
Sei que de mim vai lembrar
E a mim irá voltar...



(Darlene R. Faria -2008)

XIIIº CONCURSO POESIARTE DE POESIA




XIIIº CONCURSO POESIARTE DE POESIA



REGULAMENTO

1. Participantes:

1.1. Qualquer cidadão brasileiro ou estrangeiro, sendo que os poemas inscritos estejam em língua portuguesa.

1.2. A idade mínima para participação do concurso é de 12 anos.

2. Período de inscrição:

2.1. Início: 01 de abril de 2019.

Término: 29 de junho de 2019.

2.2. As inscrições serão feitas por via e-mail. Serão só aceitas as inscrições até a data limite (29 de junho) para: poesiarte@hotmail.com

3. Categoria:

3.1. Poesia – 1 (uma) por concorrente, com máximo de 3 (três) laudas (folhas).

3.2. Os participantes poderão enviar sua poesia sem precisar de um padrão específico poético, ou seja, poderão enviar em forma de soneto, haicai, trova, elegia, poetrix, etc.

4.Tema: “Resistência”.

4.1. O objetivo do tema é estimular a criatividade dos participantes, levando-os a uma reflexão para vida neste século. Uma homenagem a poetisa árabe-israelita Dareen Tatour.






4.2. Dareen Tatour (nascida em 16 de abril de 1982 em Reineh) é uma poetisa palestina, fotógrafa e ativista de mídia social de Reineh , Israel, que escreve em árabe, sua língua materna. Após a publicação de um poema nas mídias sociais, ela foi julgada e condenada em 2018 em um tribunal israelense por "incitar a violência" e "apoiar uma organização terrorista", sendo lançado em setembro. 2018. Ela publicou seu trabalho no Facebook e no YouTube .


Mensagens de mídia social e prisão

Em outubro de 2015, Tatour publicou um poema no YouTube e no Facebook intitulado "Qawem Ya Shaabi Qawemahum" ("Resista ao meu povo, resista a eles"), onde as palavras foram citadas como trilha sonora de imagens de palestinos em confrontos violentos com Israel tropas. Isto levou à sua prisão e acusação por incitamento à violência e pelo apoio de uma organização terrorista. Uma tradução completa do poema feita por um policial é citada no documento de acusação. O restante da acusação está relacionado a três publicações do Facebook: a foto de Israa Abed, uma mulher de Nazaré, colocada no chão da estação central de ônibus em Afula depois que ela foi baleada por soldados e guardas israelenses; uma foto de perfil com a escrita árabe "Ana Al-Shahid Al-Jay" ("Eu sou o próximo mártir"); e um post citando a convocação da Jihad Islâmica para a Intifada na Cisjordânia e chamando a Intifada dentro da linha verde para a Mesquita Al-Aqsa .


Reações

Segundo a BBC, "o caso do poeta se tornou uma causa célebre para os defensores da liberdade de expressão e chamou a atenção para o recente aumento das prisões israelenses - de árabes israelenses e palestinos na Cisjordânia ocupada - acusados ​​de incitamento ou planejando ataques online". O Centro Americano PEN condenou sua prisão e sentenciamento em 2016, organizou campanhas de cartas em seu nome, e após sua condenação em maio de 2018 afirmou que a condenação “depende de uma descaracterização descarada de seu trabalho e é um ataque inaceitável à liberdade de expressão em Israel”. Sua prisão foi condenada pela Voz Judaica pela Paz .


Julgamento e sentença

Ela foi condenada em 3 de maio de 2018 e em 31 de julho de 2018 condenada a cinco meses de prisão. Ela foi libertada em setembro de 2018.

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Dareen_Tatour



5. Textos:

5.1. Deverão ser escritos em língua portuguesa (idem ao item 1.1), digitados em página branca tamanho A4, utilizar fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12 e espaço 1,5.

5.2. Não serão aceitos trabalhos manuscritos. (ver item 3.1)

5.3. Os trabalhos deverão ser inéditos, isto é, ainda não publicados em nenhum meio de comunicação ou em livro e principalmente por sites ou blogs na internet.

5.4. Os textos deverão conter exclusivamente o título da obra e o pseudônimo do autor.

5.5. Os pseudônimos não deverão guardar qualquer semelhança com o nome, apelido ou outro fator de identificação do concorrente, pois se houver o inscrito será eliminado.

5.6. Não serão aceitas inscrições de paródias ou paráfrases.

5.7. Casos de plágios serão denunciados pela organização do concurso.

6. Apresentação dos trabalhos por via e-mail deverá seguir o modelo abaixo da ficha de inscrição:

*Segue o modelo de ficha de inscrição:

Nome completo;

Cidade de origem:

Data de nascimento completa:

Cidade que representa:

Atividade que ocupa:

Título do poema:

Pseudônimo:

E-mail:

Endereço postal:

6.1. Caso o inscrito não preencher devidamente o formulário acima não estará qualificado para o certame do concurso.

6.2. Os trabalhos que não obedecerem às regras deste concurso serão automaticamente desclassificados.

6.3. Os poemas enviados por via e-mail deverão estar em documento Word, seguindo as especificações do item 5.1.

6.4. Não serão aceitas inscrições através de PDFS ou digitalizações.

7. Julgamento:

7.1. O corpo de jurados será formado por profissionais da área, altamente qualificados pela Comissão Organizadora do Concurso, que serão conhecidos e apresentados brevemente no blog:

http://concursopoesiarte.blogspot.com/



7.2. As decisões do júri são soberanas e irrecorríveis.

7.3. Serão ainda critérios para o julgamento das obras inscritas:

a) Vocabulário.

b) Conotação (uso de figuras de linguagem).

c) Ritmo.

d) Intertextualidade.

e) Criatividade.

7.4. Cada item acima valerá 20 pontos, o somatório de todos os itens é de 100 pontos.

7.5. Serão 06 (seis) jurados para 1ª etapa, onde sairão 10 finalistas para etapa final; outros 06 jurados farão suas avaliações e irão comentar cada obra finalista, dando o resultado final após o somatório dos pontos.

7.6. Manter o texto dentro das dimensões propostas no Regulamento.

7.7. Não serão aceitos trabalhos fora do tema estipulado.

7.8. Trabalhos com menções pornográficas, preconceituosas (cor, raças, sexo, religião, etc) serão automaticamente eliminados pelo júri.

7.9. A comissão organizadora decidirá sobre as omissões deste regulamento, depois de ouvida a opinião do júri.

8.Divulgação dos resultados:

8.1. A divulgação dos poemas inscritos com os seus pseudônimos será feita através do blog do concurso.

8.2. O resultado da 1ª etapa, que divulgará os finalistas será no dia 10 de julho de 2019.

8.3. O resultado final do concurso será no dia 19 de junho de 2019.

8.4. Tudo será divulgado no blog do concurso.

8.5. Caso ocorra atrasos nos resultados as datas serão modificadas e os inscritos saberão através do blog.

9. Premiação:

9.1. O primeiro colocado receberá um diploma, dois livros e medalha.

9.2. O segundo colocado receberá um diploma, um livro e medalha.

9.3. O terceiro receberá um diploma, um livro e medalha.

9.4. Caso no decorrer do concurso a comissão organizadora possa adquirir patrocínios, os prêmios serão mais pomposos com a realidade do concurso.

9.8. Não será permitido empate.

10. Disposições Gerais:

10.1. Honestidade, transparência e simplicidade são as marcas deste Projeto que no ano de 2019 fará 17 anos.

10.2. O PROJETO POESIARTE se reserva no direito de publicar os poemas dos três primeiros colocados no blog do concurso, ficando explícito que o ato de inscrição através da ficha implica em autorização para publicação.

10.3. Os autores dos poemas publicados serão automaticamente avisados por via e-mail.


Cabo Frio, 31 de março de 2019.


Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta)

Coordenador e idealizador do Concurso POESIARTE

PASSARINHO


segunda-feira, 18 de março de 2019

Somente um segundo


Somente um segundo
Um último toque
Um último suspiro
Um último olhar

O tempo passa...
Não, não desista
Não sem antes me dar
Um último adeus
Um último olhar

Somente um segundo
É tudo, tudo o que preciso
Pra mostrar
Que o Amor não morreu

Somente um toque
Um último toque
Pra te incendiar

Um último suspiro
Esperança
Um olhar
Lágrimas

Somente um segundo
Um toque, um suspiro
Um olhar antes do adeus
Pra lembrar teu coração
Que ele jamais deixou de me  amar.


(Outubro-2008)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Se a cada amanhecer



Se a cada amanhecer
Eu pudesse ainda
Ao menos abraçar-te
Em minha alma
Haveria de nascer
Um brotinho de esperança
Onde anda você?
Onde anda aquele olhar,
Que a cada dia
Foi minha alegria
E aqueceu meu coração?
Onde está a luz,
Que minha alma em vão procura
Mas só encontra
Quando nossos olhares se cruzam?
Ah, você…
Você que amo
Sem dever
E sem querer
Que eu busco em todos os pensamentos
Em todos os momentos
Dia-a-dia
Veja só, luz do meu olhar
Como é belo o espetáculo
De um amor a brotar,
A crescer
Rompendo um coração
Que já machucado
Novamente sangra
A dor de te amar.