Mario Rezende e seus amigos escritores, poetas poetisas e artistas construindo com argumentos...
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Solidão
A
solidão ainda é fria, sinto esta velha amiga tão ardente dentro de
mim. As paredes da casa vazias me envolvem, e abasteço-me de tragos
do passado e singelos goles de lembranças, todas elas... E eu que
achava que o amor fazia parte de mim, me enganei profundamente,
novamente. Então embriago-me, mesmo sem vinho bom, apenas um teatro
febril com a taça vazia na mão. Estou presa no calabouço das
minhas delícias, dos pesadelos que sempre consumiram a minh’alma;
e ela grita... Grita em tons agudos, atordoando-me. Ficarei presa no
meu próprio conto de fada? Estou presa na história de princesa que
um dia me deleitei, e não há príncipe e nem sapo. Palavras
malditas estão presas na garganta, feto nó apertado...
A solidão é
capaz de coisas assim, estúpidas... Entra de mansinho e depois não
quer ir embora. E quando vai, nem adeus ou um aceno bobo, somente
deixa marcas, sofreguidão e desespero. Queria um basta! Desejo poder
dormir tranquila, desejo olhar-me no espelho sem um olhar triste e
amargo. Desejo não sentir este desamor que nutri minha agonia.
Desejo não sentir este dessabor suave e gentil. O mostro sombrio que
adormecia dentro de mim acordou e sente fome, sente sede. Sente raiva
também! Tentei dobrar meus desejos, e redobrar meu amor, feito
origami... Até tentei ajustes e prumos para salvar o que já havia
se perdido, e papel quando amassado uma vez, nunca mais se torna
igual.
“A criação e a destruição são processos
interdependentes, existe uma ausência de vida na escuridão da terra
que recebe os mortos, mas também é a terra escura que abriga e
promove o desabrochar das sementes, que renascem - assim como os
mortos nela enterrados - para uma Nova Vida”.
A minha solidão
ainda é imatura, e aguardo tranquilamente que nos tornemos
verdadeiras. E espero ansiosamente que ela me torne uma outra pessoa,
que me torne artista, e com esta terapia tão lúcida entre nós, que
eu me torne muito mais que meros rascunhos e rabiscos tolos. Quero
ser guerreira e engajar com avidez no meu melhor combate, nesta
deliciosa guerra que é o viver. Apesar de querer tanto lutar na
guerra, queria mesmo, somente paz. Não paz de hastear uma
bandeira... Queria não ter dentro de mim estas coisas todas que
sinto agora. Este turbilhão de coisas inúteis em minha volta, estas
gargalhadas falsas.
Quero colo! “Sou uma gota d’água, sou um
grão de areia”
domingo, 24 de janeiro de 2016
PINTURA A DEDO
PINTURA A DEDO
Hoje eu
peguei uma fotografia
e fiquei
admirando o meu amor.
Uma menina
cismadinha,
ciumenta que
ela só.
Delineie com
a ponta do indicador
cada traço
do seu corpo tão querido.
Tapei os
olhinhos desconfiados
e os lábios
inquisidores.
Com muito
carinho desenhei
um coração
entre os seios.
Depois acompanhei
as curvas
sinuosas até
abaixo da cintura.
Desci pelas
coxas bem torneadas,
até os pés
delicados
e subi de
volta, até encontrar
a bela flor
do seu corpo.
domingo, 17 de janeiro de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
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